Este é o meu quartinho de bagunça. Da embalagem vazia de Chokito ao último livro do Saramago que eu não terminei de ler, você encontrará aqui de tudo um pouco.

domingo, agosto 06, 2006

Algumas considerações sobre a Bahia

Serrei
Aqui os homens concedem realeza a outros a troco de nada, chamando-se de "meu rei" pra cá, "meu rei" pra lá. N'outras partes do globo, homens são competitivos, furam os olhos de outros homens e quebram garrafas nas cabeças de outros homens. Não que isso não aconteça na Bahia, mas fica mais difícil bancar o pitboy depois do "meu rei", o tratamento que abre as portas do coração pro carinho, pro sorriso e pra cordialidade.


Ana da Bahia
Ela sempre tinha um comentário brilhante e sensível nos posts mais polêmicos do blog da Cora e, mais tarde, nos textos deste quartinho. Um caso típico de nunca te vi, sempre te amei. Mas eu não tinha como adivinhar que ficaria tão feliz de vê-la materializada na minha frente. Conversamos como velhas amigas que põem o papo de uma vida inteira em dia (em um dia!), bebemos todas no MAM e no Pelô, vimos as fotografias lindas do Pierre Verger e, de repente, eu senti que Salvador podia ser meu lar. Lar é onde nosso coração está, e o coração da gente, esse músculo estriado voluntarioso, está irreversivelmente conectado aos amigos. Ana, obrigada pelo dia lindo!


Informação
Peça uma informação em Salvador, no Rio e em Minas e compare forma e conteúdo das respostas. No Rio, as pessoas dizem que não sabem onde fica, mas já falam andando, apertando o passo pra sumir da abordagem do estranho potencialmente perigoso; nas pequenas cidades de Minas, eles sempre têm uma resposta imprecisa, que invariavelmente é (depois de horas de falação mole) "logo ali", acompanhada de um espichar de queixo e um certo mascar de palha imaginária; em Salvador, sempre junta uma pequena multidão de homens pra dar a mesma informação, nem sempre todas as pessoas têm a mesma opinião, mas todos são simpáticos, querem saber de onde você é, se é sua primeira vez na Bahia e, se você não colocar um limite, te botam no colo e te levam até o lugar procurado. Muito se descobre sobre um lugar só pela forma como as pessoas locais dão informações.