Este é o meu quartinho de bagunça. Da embalagem vazia de Chokito ao último livro do Saramago que eu não terminei de ler, você encontrará aqui de tudo um pouco.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Keskecé

A chuva lava o chão, o rio leva a folha, a mãe arrasta o filho, o ônibus não para no ponto. A nuvem é barbaramente retalhada por um avião. O vento varre o papel, o ano chega ao fim, o despertador sequestra o sonho, o moribundo dá seu derradeiro suspiro na mesa cirúrgica enquanto os ponteiros circulam o relógio comunicando que não há retorno. Eu penso em tudo que passa, e tudo passa por mim como se eu fosse peneira. Ou como se eu fosse esponja, porque peneira passa, esponja retém. Talvez meus poros estejam dilatados demais, talvez minha alma esteja dilatada demais, talvez coisas demais passem por minha cabeça.

Só sei que tudo passa. E essa porosidade dolorosa também vai passar um dia, porque um dia até a vida passa.

E eu, passarinho. Que tomou pedrada, mas ainda assim, passarinho.

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