Este é o meu quartinho de bagunça. Da embalagem vazia de Chokito ao último livro do Saramago que eu não terminei de ler, você encontrará aqui de tudo um pouco.

terça-feira, maio 20, 2008

Profissão: babá de poodle

Eu, que sempre temi-mais-do-que-tudo, mais do que o bicho papão, mais do que estupro de carona no campus e mais do que saidinha de banco em dia de pagamento me transformar numa tratadora de poodle-de-madame após tudo o que o povo brasileiro investiu em minha educação, nunca, jamais pensei que um dia fosse dizer com a boca transbordante de saliva que sou, sim, babá de poodle, and very proud of it.

Escrevo essas már-traçadas enlevada pelo vinho, sim, mas antes de tudo, enlevada pela Lála, a poodle que mudou meu conceito de poodle e quetais e, por que não dizer?, minha vida! Ela chegou ainda há pouco para passar mais um feriado prolongado comigo. Pelo menos pra alguma coisa servem essas bostas de feriados religiosos que ninguém entende, aleluia irmão!

Ela chegou toda de branco, toda molhada e despenteada, que maravilha, que coisa linda que é a Lála. Depois de subir em todas as camas só pra verificar se ainda estavam razoavelmente confortáveis e limpinhas, Lála sentou-se à mesa conosco e comeu nossa focaccia. Na verdade, não era pra ela jantar nossa comida nem beber do nosso vinho, mas as coisas simplesmente acontecem com a Lála, que é totalmente demais, linda como neném, só vai na boa e só se dá bem. Ela nos distraiu com um ruído na área de serviço e, quando olhamos, o canino tinha uma focaccia de seu tamanho na boca: uma cena linda! Diante do inusitado (afinal, imaginamos inocentemente que o cão comeria sua comida de cão, e não a nossa), negociei com ela 3/4 daquele pão pros humanos e fui dando seu quarto de direito, ora com queijo de cabra, ora com um fio de azeite extra-virgem (pra agregar valor ao quinhão subfaturado) de quando em quando pra que ela não se entediasse do jantar, que em minha casa costuma durar uma hora e meia.

Agora que ela dorme de barriguinha cheia, começo a relembrar do curto diálogo que tive com seu dono quando ele a deixou em minha portaria há pouco:
- MEU DEUS, MAS A LÁLA ESTÁ ENORME DE GORDA!!!
- Não, Vanessa, é o pêlo que cresceu. Ela só está mais peluda.
- Fale a verdade: quantos pacotes de Doguitos vocês estão dando pra ela por dia, ahn?
- Juro que é só o pêlo. Ela tomou banho hoje e eu vi: debaixo desse pêlo todo, é um esqueletinho.
- Mas ela está com queixo duplo e pneus nas laterais, um esqueleto não costuma ter esses acessórios.
- Ah, Vanessa, então tenta passar um dia sem dar Doguitos pra ela. Daqui a uma semana te pergunto.

Enquanto o tubo digestivo da menina processa todo o pão, azeite, queijo e vinho que comeu-comemos, começo e entender o que o dono da Lála, um triatleta preocupadíssimo com a saúde e a forma física ele mesmo, estava tentando me dizer: ela não está gorda, só é mesmo peluda. Um problema comum a todos os poodles e cachorrinhos fofos em geral. Eu, que afinal de contas sou veterinária, devia saber muito bem disso e de outros fatos caninos da vida.

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