Este é o meu quartinho de bagunça. Da embalagem vazia de Chokito ao último livro do Saramago que eu não terminei de ler, você encontrará aqui de tudo um pouco.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Enlevedo de cerveja (ou declarações de amor a uma hora dessas)

Eu achei que agora só fosse escrever às quintas, mas eu odeio essa obrigação de escrever apenas num determinado dia da semana. Eu quero escrever quando eu tiver vontade, pô! Tudo bem que de repente eu achei que as quintas tinham virado o *meu dia de escrever*, mas agora eu vejo claramente -- I can see clearly now, la la la la -- que eu viajo na regra, a regra me viaja e eu, como bom cachorro que sou, sofro de cinetose, que é o vômito do viajante. Ou seja: a regra me dá náuseas. Eu precisava ter nascido na década de 50 pra ter sofrido as torturas da ditadura e, só assim, me curar dessa rebeldia terminal para, décadas depois, virar malandra federal de tailleur, plástica e pensão-tortura vitalícia. Sei lá. Nada contra. Mas também nada a favor.

Estou apenas divagando.

Ah, sim! Escrevo agora porque estou enlevada por uma taça magnífica de alentejano, um barato tão fortíssimo que eu me pergunto: por que o ser humano ainda sobe morro pra comprar bagulho, meu pai? Vai no Zona Sul, meu amigo! Vai no Mundial. Compra um vinho bacana, porque o barato do vinho é melhor! (Eu poderia jurar, mas quem jura, mente.) E, ó: ainda vem com recolhimento de imposto (e tome imposto!) e responsabilidade social. Enfim, eu ia dizendo...

Um paragrafinho aqui, super-cá entre nós: se eu não me interrompo numa crise de verborragia hemorrágica como esta, eu vou dizendo, dizendo e não chego a lugar nenhum. A gente sabe que o excesso de palavras costuma ser a antítese do conteúdo e, sobre isso, eu poderia ficar ainda horas elucubrando, mas eu decidi que agora eu vou direto ao ponto. Direto ao post. Direto ao título. Porque é muito gozado como eu sempre começo a escrever pelo título, de forma que eu não sei o que seria de mim sem um título. Talvez eu tenha feito faculdade só por isso, mas talvez só por amor aos animais. Talvez só por amor. Vixe, maria: eu tô que tô!

Pois venho por meio dessas már-traçada declarar meu amor irrestrito e incondicional a um determinado grupo de pessoas, o que não quer dizer que eu ame só essas no mundo, na vida, mas o alentejano me despertou a urgência de manifestar publicamente o meu amor por estas que ora, especificamente, cito:

Minha ex-chefe, Rita, que foi recentemente demitida por injusta causa, ou seja, foi exonerada de seu cargo de confiança, pois toda vez que um político é substituído por seu rival, ele também substitui os cargos de confiança do outro, porque rival que é rival não confia em ninguém que seja da confiança "do outro". E a Rita não apenas foi a melhor chefe do mundo, como me tirou das garras da leviandade boviniforme que governa os calabouços mofados daquela ala burrocrata terminal do serviço público que mais parece um câncer metastático que, se Deus quiser,! ainda terá remédio: aquela em que a incompetência impera e a mais ínfima demonstração de competência suscita os piores assédios morais concebíveis pela mente humana. A Rita me tirou dessa vibe ruim e me deu ninho pra crescer e até voltar a me reconhecer como ser humano, depois de ter quase desistido de pertencer à espécie. A Rita, ao contrário da música, devolveu meu sorriso. E só agora que a gente não trabalha mais lado a lado, e por isso eu tenho sentido tantas saudades!, é que eu percebo a dádiva que é conviver com pessoas do bem: elas nos fazem pensar que o mundo tem jeito. Por este motivo, eu hoje lhe entrego a chave de ouro para esta bela suíte com a vista pro mar dentro do meu coração.

E porque estou enlevada, também declaro meu amor aos colegas de trabalho que têm tornado minha vida possível nesse momento esburacado da estrada da existência: Tatiana, que prescreve florais que curam a alma (e, mais importante que isso, tem sempre um par de ouvidos atentos pra me escutar e desafogar minhas angústias); Glauco, o super vet que tem me dado todo o apoio moral e técnico pra mudar de profissão (ou pra voltar à profissão de que eu tinha desistido há tantos anos); e Fernando, que sempre aparece na clínica pra verificar se eu fugi, desisti ou se estou chorando de novo porque não me lembro como se faz um exame neurológico completo, entre tantas outras coisas. Sem o carinho dessa galera, a perda da Rita, entre outras perdas que não quero citar, teria tornado o ar sólido ou líquido demais pra respirar.

Por fim, porque não há justiça sem que se volte às origens, quero declarar publicamente meu amor surreal e irrestrito aos meus pais.

Eles sabem o porquê.

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