Este é o meu quartinho de bagunça. Da embalagem vazia de Chokito ao último livro do Saramago que eu não terminei de ler, você encontrará aqui de tudo um pouco.

sábado, maio 24, 2008

DiLáLagos


Eu gosto de conversar com a Lála porque ela, além de ser um cara legal e super de bem com a vida, é divertida e me faz rir à vera. Nossos papos não são extremamente profundos, como vocês podem imaginar, mas eu acho bacana manter alguns amigos que nunca falem de política, religião, esporte, tecnologia, relacionamentos amorosos, saúde, dinheiro, trabalho ou filosofia, just for a change. Parece que, tirando tudo isso, sobra pouca coisa mas, por incrível que pareça, sobra todo o resto. Por exemplo:

Comida
Lála é louca por comida e eu não fico muito atrás. Ainda há pouco travamos um diálogo - quase uma batalha - sobre esse tema:

- O que é isso que você está comendo? Tem um cheiro ótimo, hum... posso enfiar meu nariz aí dentro?
- Não, Lála! Isto aqui é risoto de frango e alcachofra, não é comida de cachorro. Sua comida de cachorro está ali, ó, no seu pratinho.
- Ah, fala sério. Como é que você pode considerar comida aquela ração light? Isto aqui está bem mais interessante, hum..., vou colocar meu nariz só um pouquinho, talvez um pedacinho da língua.... ih, acabei provando sem querer! Eu estava certa, sua ração é muito mais gostosa. Vamos trocar?
- Não, nem pensar! O máximo que eu posso fazer por você é colocar uma colher de chá daquele risoto de lula na sua ração, esquentar no microondas - hum, olha que cheirinho bom... -, jogar um fio de azeite extra-extra virgem por cima de tudo, dar uma misturadinha, um tiquinho de cottage e voi lá: sua ração agora parece um risoto.
- Mas não é.
- Não posso fazer mais nada, Lála. Sou um ser humano limitado e meu nome não é Sudbrak. Come aí pra gente terminar de ver "Beyond Borders". Depois a gente faz mais um passeio.
- É. Se eu passo dois segundos sem pensar no gosto da sua comida, até que a minha não fica nada mal. Nham nham nham. Isso meio branco aqui é o quê mesmo? Alcachofra?


Les misérables
A consciência social dos poodles está longe de ser admirável, e por isso a Lála sempre se encanta com a quantidade de gatos abandonados na rua. Ela quer brincar com eles de igual pra igual, cheirar-lhes a bunda e ver pra onde eles correm, mas nessas ocasiões eu faço o papel desagradável daquela que traz o maluco de volta à realidade:
- Deixa o gatinho pra lá, Lála. Ele é coitado, você não vê? Esta aí à deriva, sem sofá, nem pizza.
- Mas pelo menos ele está sem coleira, né? Pode correr livremente.
- Ah, é? Mas o pobre do gatinho também está sem babá. Ou você gostaria de estar sem babá num feriado prolongadíssimo como este? Ahn?
- Tudo bem, mas será que eu pelo menos posso cheirar a bunda daquele vermelhinho ali? Acho que aquele não vai correr de mim.
- OK, pode, mas depois vamos ter de escovar os dentes. Você conhece as regras.

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