Este é o meu quartinho de bagunça. Da embalagem vazia de Chokito ao último livro do Saramago que eu não terminei de ler, você encontrará aqui de tudo um pouco.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Pobre blog abandonado!

Outro dia alguém me falou que leu não sei o quê no blog de não sei quem e aí essa palavra "blog" ficou rolando na minha cabeça de lá pra cá, de cá pra lá, ia e voltava, e a cada vez que ia, eu sentia um desconforto tremendo, até que o desconforto foi ficando grande e tomando forma, ganhando corpo e cara, e a cara ia ganhando feições e olheiras muito familiares, até que não restou dúvida alguma: foi só alguém falar em blog que eu vi a cara inequívoca da culpa!

Minha culpa, claro, por ter abandonado o meu próprio quartinho verde de bagunça assim, sem ter dado nem uma desculpinha tola aqui ou ali.

Quando a culpa acompanha alguma desculpa, ainda que esfarrapada, dá até pra levá-la ao tribunal, convocar advogados, formular uma boa defesa engambeladora e tentar a sorte na balança da justiça afetiva. Mas quando a culpa vem sozinha, sem desculpa nem nada, pronto: é guilhotina na certa! Meu superego maldito está sempre afiando a lâmina pra tornar o processo de decapitação o menos doloroso possível, e está sempre vigilante pra ver se eu não tentarei burlar o sistema arrumando uma desculpinha de última hora. Sim, porque os sobreviventes sempre têm uma tirada de último instante.

Eu ainda não tenho uma boa desculpa pra ter abandonado meu blog, apenas um esboço, que diz mais ou menos assim:

"Prezado superego, prezados leitores: tenho andado muito ocupada. Minha cabeça está em toda a parte e em lugar nenhum. Talvez eu tenha assumido mais compromissos do que seria humanamente possível, mas talvez eu não seja humana. Talvez meus colegas alienígenas voltem pra me buscar naquele disco voador, mas se eles não voltarem, f o d e u, porque o dia só tem 24 horas e, especialmente no final de cada ano, eu precisaria de pelo menos 38 horas diárias para atender compromissos, prazos e demandas afetivas de toda sorte. É tanta drenagem, que eu estou cansada, careca e acabada. Por favor, entendam: eu amo vocês, mas até pra amar estou limitada desde que meu músculo estriado cardíaco começou a se autolisar por motivo de estresse maior."

Como eu disse, isso é apenas um esboço, mas quando o crime é Culpa, a única estratégia de defesa viável é essa: reverter acusador em algoz pra que ele se sinta culpado de ter gerado tanta culpa. Parece complicado, mas não é. Funciona quase sempre. Palavra-mulherzinha de quem entende tudo sobre culpa, desculpa e todo o drama que sempre existe em volta.

E por falar em volta, eu volto: sem culpas e sem desculpas. Isso se, é claro, eu não for abduzida por um disco voador. Mais fácil tomar bala perdida -- aliás, um evento arquetípico de novela da Globo, e quem toma bala perdida em novela quase sempre volta, se não como espectro, como sobrevivente do SUS.

A propósito: eu só citei a hipótese de bala perdida pra catalizar o mecanismo da reversão de culpa em desculpa-culpa. Meus advogados não dormem no ponto. ;-)

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