Este é o meu quartinho de bagunça. Da embalagem vazia de Chokito ao último livro do Saramago que eu não terminei de ler, você encontrará aqui de tudo um pouco.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Ele está no meio de nós.

Engraçado que eu passei os últimos 15 anos pensando que o Fábio Junior tinha morrido. Posso estar sendo radical, mas fato é que muitos artistas somem e reaparecem depois de décadas - vendendo água de coco na praia, sofrendo uma humilhação básica no talk-show da Luciana Gimenez, fazendo uma figuração na Ilha de Caras ou tendo filho com um bandido qualquer -, e a verdade é que o Fábio Júnior não é uma dessas pessoas. Pra mim, o cara tinha sumido mesmo, no melhor estilo Lídia Brondi, e qual não foi minha surpresa quando o vi na TV fazendo comercial de perfume. E de carro. E de supermercado. Ahn? Como assim? Fábio Júnior não morreu?!?

Primeiro achei que fosse um sósia e até achei meio mórbido. Pensei: pô, neguinho não respeita nada, nem a morte! O cara taí, coitado, completamente morto e enterrado, mas conseguiram arrumar um outro igualzinho, com a mesma voz e a mesma cara, só que um tanto mais velho. Aí comento com a minha mãe, que é uma pessoa espiritualizada que certamente não acharia bonito ver alguém debochar da morte alheia, e eis que ela me revela, pro meu choque e horror, que FÁBIO JÚNIOR NÃO MORREU.

Caraca. Eu passei mal com a notícia.

Não que a morte ou a vida dele sejam importantes pra mim, mas eu fiquei muito tensa com essa possibilidade de um ser humano ressuscitar. Porque, na minha cabeça, ele ressuscitou. Acho que eu devo ter sonhado com a morte dele, porque, consultando meu arquivo de memórias contigais, que eu realmente guardo apenas por um suspiro nervoso de meu neurônio mais desmielinizado, eu podia lembrar de fotos do velório, com gente famosa vestida de preto e seus narizes vermelhos sem maquiagem, sustentando impenetráveis óculos Jackie O.

Enfim, nada contra o Fábio, coitado, que afinal é Júnior, mas quem me dera que todos os mortos pudessem voltar.

Se tivessem morrido, é claro. E se a gente quisesse, é claro.

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