Este é o meu quartinho de bagunça. Da embalagem vazia de Chokito ao último livro do Saramago que eu não terminei de ler, você encontrará aqui de tudo um pouco.

sábado, novembro 15, 2008

Biba Larrentina!

Prezados amigos, prezados leitores, prezados todos.

Venho por meio deste post comunicar minha irrevogável decisão de amar a Argentina como se fosse meu próprio país, deixando para trás todas as profanações futebolísticas e críticas comportamentais na forma de piadas. Embora algumas dessas piadas tenham sido realmente hilárias, é verdade, mas essa é agora uma graça ancestral, uma gargalhada fossilizada que, quando examinada com rigor por um paleontólogo experiente em escavações antropossociológicas no futuro, ainda se parecerá com uma gargalhada uterina, mas estará completamente desprovida de energia vital.

Não, meus queridos, eu não me tornei adepta do politicamente correto. Eu me tornei comadre, isto sim. Ou me tornarei, em breve. E como meu afilhado nascerá em Córdoba, Argentina, estou desde já tomando medidas para que ele, em momento algum, perceba que já tenha existido qualquer tipo de rivalidade entre los hermanos y nosotros, e a primeira medida será remover o itálico das palavras em espanhol, porque afinal o espanhol não é tão estrangeiro assim. O mundo já é mau o bastante, meu afilhadinho não precisa passar por essa dificuldade de ser argentino no Brasil. Já basta ele não conseguir dizer avião, pão, mão e não. Se ele vai ser argentino, o Brasil vai ter de se adequar a isso! Para que isto aconteça, basta que todo mundo pare de tirar sarro da cara dos hermanos, pô. Pensem bem: custa alguma coisa? Não. Entonces! Deixa o Maradona ser o técnico da seleção dos caras. A gente não tem nada a ver com isso. E vamos tratar de esquecer daquele triste episódio em que eles doparam nossos jogadores numa partida decisiva da Copa de 1990. Pô, gente... tanta água - dopada ou não - já passou depois disso, vamos deixar essa mágoa passar. O amor conserta tudo, e eu amo a Argentina, amo o tango, amo a milonga, amo o cinema argentino (desde A História Oficial), amo a Patagônia Atlântica, adoraria amar o Borges (mas confesso que nunca li, e estou confessando agora porque uma relação madura e duradoura deve florescer na sinceridade) e amo até a Madona por causa de seu papel como protagonista em Evita. Só não amo, porque isso realmente seria demais pra mim, as manchetes desreipeitosas dos tablóides esportivos argentinos, como o Diário Olé, e essa mania que eles têm de achar que Maradona é melhor que Pelé. Não é, gente. Não é!

A rivalidade entre Brasil e Argentina vai além do futebol e tem raízes históricas, mas é a falta de informação, dos dois lados, que segue alimentando estereótipos e rixas. Por isso, já vou informando que Buenos Aires não é a capital de Brasil e aqui não hablamos espanhol, mas em compensação arranhamos um portunhol muito sorridente e bastante gritado. Ainda vão explicar porque, em geral, as pessoas falam mais alto com quem não entende o que diabos se acabou de dizer. Argentino que não entender esse nosso rompante de boa vontade não merece meu amor, mas não tem problema: assim sobrará mais amor pra dar pro meu afilhadinho, filho da minha sister de metro e ointenta, a Wal.

E por último, but absolutamente not least, recebi um email muito simpático de Guillermo Martin, um leitor hermano de Córdoba que realmente me fez apressar a implementação de estratégias pessoais para o estreitamento das relações entre Brasil e Argentina. A primeira delas será aprender espanhol, porque quando eu vi um email em castellano em minha caixa postal, senti uma aflição danada, suei frio e tive medo de não captar a mensagem, mas eis que, para minha agradável surpresa - e contrariando minha crença adolescente - o português brasileiro é hermano o bastante do castellano argentino. Mesmo assim, eu quero aprender espanhol pra não ficar rouca de tanto gritar com os argentinos que não entendem nada do que eu falo. Eu fico rouca com facilidade, é isso.

Biba Larrentina!!! Biba!!!

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