Este é o meu quartinho de bagunça. Da embalagem vazia de Chokito ao último livro do Saramago que eu não terminei de ler, você encontrará aqui de tudo um pouco.

sábado, março 07, 2009

Enfim, um final feliz no mundo cão

Ontem de manhã, recebi a ligação mais feliz do ano até o momento: a Patrícia encontrou os donos do Bernese perdido que foi parar no IJV. Ela me ligou exultante, a caminho do reencontro homem-animal, para me deixar saber que os donos do Bernese descobriram seu paradeiro por intermédio da VetLucinha, uma veterinária da Ilha do Governador para quem eu redirecionei a mensagem de "cão perdido-encontrado". Os donos estavam procurando o peludão desde o dia de sua fuga, 01 de fevereiro (os bombeiros o resgataram no dia 25/02), e tinham contratado carro de som e tudo para circular pelo bairro anunciando a recompensa para quem encontrasse o animal.

Para a Patrícia, o Bernese sempre foi um cão perdido. Pelo estado em que se encontrava (que é um estado que não ocorre de um dia para o outro), eu sempre desconfiei que era um caso de abandono. Fiquei muito feliz por ter errado no meu julgamento pessimista do ser humano.

Todo mundo que viu o reencontro da família com o peludo resgatado disse que a cena foi emocionante. Os cães reconhecem seus donos e deixam bem claro o quão felizes estão quando eles voltam. Se a Patrícia tiver fotos, provavelmente as subirá em seu flickr. Depois confiram.

Depois desse final feliz, vou novamente deixar aqui algumas dicas para quem perdeu cachorro no Rio de Janeiro:

- Sempre procurem o animal perdido no Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman (IJV), porque os bombeiros têm mania de levar cachorro pra lá. Embora o IJV só tenha obrigação de receber animais agressores para observação de raiva, alguns outros animais levados pela misericórdia dos bombeiros (porque estão machucados demais, ou porque estão em perigo demais) acabam ficando por lá por causa da misericórdia dos veterinários. Foi esse o caso do Bernese. Se o verdadeiro dono do animal não o buscar no local, o animal resgatado acaba sendo adotado por novos donos, e isso costuma ocorrer em tempo recorde se o animal for de raça pura (*vômito*) ou tiver tido um histórico muito sofrido. As pessoas adotam mais os animais que passaram por poucas e boas. Sei lá, elas devem se identificar.

- Cuidado com portões automáticos: sempre verifiquem pelo espelho retrovisor se o portão fechou completamente antes de sair e se algum peludo aproveitou os 10 cm finais para escapulir. Eles adoram testar toda a sua flexibilidade nos 10 cm finais. O Bernese escapou numa dessas.

- Todos os cães e gatos devem andar com uma placa de identificação na coleira. Na placa de identificação, deve constar o telefone de contato do proprietário com código de área, pois alguns animais perdidos no Rio acabam parando em outras cidades.

- Façam panfletos com fotos do animal perdido, data e local da fuga e telefones de contato. Distribuam por todas as lojas de ração, pet shops, banho & tosa, consultórios e clínicas veterinárias e veterinários de domicílio no bairro onde o animal de perdeu e adjacências num raio de 20km, distância que um cão percorre facilmente em um dia. Este Bernese foi encontrado graças a uma veterinária que recebeu um desses folhetos em sua clínica e depois o e-mail sobre o paradeiro do animal. O CRMV-RJ pode fornecer a mala direta com todos os endereços de veterinários e estabelecimentos veterinários na região.

- Não tenham medo de oferecer recompensa. Algumas pessoas são tão mesquinhas que não vão querer devolver o cão resgatado só porque tiveram 80 reais de despesa com banho, vacina e ração. A recompensa, em casos como esse, é lida como "reembolso de despesas". Melhor reembolsar o mesquinho do que perder o peludão pra um mercenário. Todas as vezes que eu encontrei meus cães perdidos na casa de outrem, eu passei por isso. A alegria do cão com o reencontro não só neutraliza a raiva que a gente tende a sentir do sequestrador, como nos dá a real tônica da situação: numa hora dessas, dinheiro é o que menos importa.

- Castrem seus animais. Um cão de raça pura caro como o Bernese Mountain Dog, se for inteiro, pode nunca ser devolvido se parar nas mãos de um mercenário. O mercenário vai prostituir o cão para lhe vender as crias. Criação é para criadores profissionais. Cães de leigos devem ser castrados sempre. A castração oferece várias vantagens à saúde dos animais e é gratuita na cidade do Rio de Janeiro, tanto no IJV, quanto na Defesa dos Animais. Informem-se.

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