Este é o meu quartinho de bagunça. Da embalagem vazia de Chokito ao último livro do Saramago que eu não terminei de ler, você encontrará aqui de tudo um pouco.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Pequeno post de fevereiro

Para meu total choque e horror, hoje entrei em meu falido blog e percebi que estou publicando uma média fraquíssima de um texto por mês. Deve ser o aquecimento global catalizando meu fim de mundo.

Acordei um pouco pessimista. Frentes frias sempre me suscitam cataclismos psíquicos. Liguei pra minha irmã que mora em Nova York pamódi me animar, já que estarei por lá em algumas semanas, e ela atendeu a ligação tossindo e cuspindo palavras afogadas em um denso muco invernal. "Putz. Tem sete inches de neve lá fora", ela disse. "Só consigo ver o chão porque o cocô da Jane derreteu a neve até a calçada."

Jane é o cachorro de 50 kg da minha irmã. Um cachorro de 50 kg geralmente faz um respeitoso cocô capaz de quebrar qualquer tipo de gelo, quiçá perfurar o solo e fazer jorrar petróleo em plena Big Apple. Um cachorro de 50 kg faz milagres que até Deus duvida, mas sete inches de neve era tudo que eu não queria ouvir nesse momento psicoclimático. "Será que ainda estará frio quando eu chegar aí?" Porque eu odeio sentir frio, gente. Se tem uma coisa boa a respeito do aquecimento global, essa coisa é o verão prolongado. Se o mundo vai acabar, que o fim nos encontre na praia, e de biquíni. E com marquinha de biquíni, porque fomentar palidez é definitivamente uma forma de se mumificar em vida.

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Já que o  mundo vai acabar, resolvi que preciso de uma religião que me ajude a entrar em contato com o além. Eu não posso ir pra lugar algum sem saber se está frio ou quente, se chove ou faz sol. Vocês até têm o direito de encontrar futilidade no que eu vou dizer, mas alguém por acaso sabe qual é dress code do além? Pois é! Foi pensando nisso e nos meus contatos com a galerinha fashion que já partiu desta pra uma melhor que eu decidi que, de segunda-feira em diante, serei kardecista.

Eu até poderia ser budista, que é mais in e cosmopolita, mas o budismo exige um certo caráter tolerante e paciente do qual careço fortemente, ao passo que o kardecismo admite destemperos do humor. Se eu tiver um quadro grave de TPM, por exemplo, posso dizer que estava obsedada por um mau espírito qualquer. Ou por vários (o que seria mais plausível nas minhas distimias hormonais). Todos os meus amiguinhos de centro espírita me apoiariam, e isso talvez me poupasse polpudas somas em médicos ortomoleculares e oligoelementos superfaturados. Além disso, é de bom tom que um kardecista seja vegetariano, e de repente me ocorreu que este talvez seja um bom motivo fundamentalista pra eu largar os prazeres da carne. Já que todo mundo abandonará os prazeres da carne um dia, seja por vegetarianismo ou por fim-de-mundismo, que haja por trás algum rastro de motivo nobre, como a validação da fisiologia da alma. Aliás, este é o livro que eu preciso ler para me tornar vegetariana de vez.

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A Marina me apresentou a uma banda que se transformou no meu repertório de cantigas de ninar da primeira à última hora do dia, o Letuce. Posso considerar este o primeiro passo para me tornar vegetariana, já que fiquei completamente viciada em, bem, alface. Na verdade, o Letuce é uma dupla (de Letícia + Lucas Vasconcellos), mas tem sempre aquela suruba dos arranjos que deixa a gente com a impressão de que é banda mesmo, mas não é não. É coisa minimalista. Atenção pro detalhe do decote da moça. O próximo show é no Cinematéque de Botafogo, na festa Ronca Ronca, dia 02 de abril.

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