Este é o meu quartinho de bagunça. Da embalagem vazia de Chokito ao último livro do Saramago que eu não terminei de ler, você encontrará aqui de tudo um pouco.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Isso aqui, ô-ô, é um Little Brazil, iá-iá.

Quando faltavam 10 dias para o fim das minhas férias, eu fiz uma lista das coisas que ainda quero ver e fazer em NYC antes de cair na vida. Mandei pra minha irmã e pro Ken um email com a programação e, quando expliquei pra ele do que se tratava, ele ficou tão cansado só de me ouvir que até hoje, 3 dias depois, ainda não teve coragem de abrir o arquivo porque está com medo de sofrer um mal súbito durante a leitura. Admito que estou dando uma estafa no coitado, mas ele tem agüentado bravamente e me acompanha em todos os programas de índio que a mente humana pode conceber. E o que é melhor: quase sem reclamar!

Ontem, por exemplo, estava na minha programação ficar na festa do Little Brazil de 13 às 16h para o show do Jorge Benjor e do Lulu Santos. Depois, já que micareta é uma coisa altamente refrescante, sobretudo no verão, sairíamos batidos pro lado oposto da cidade, numa ilha entre o fiofó do Harlem e o Bronx, onde eu correria 10km na Nike+ Human Race. Após a corrida, nós dois assistiríamos ao show do All American Rejects, uma banda de rock para crianças entre 20 e 16 anos.

Porém, como todas as programações estão sujeitas a alterações por motivo de força maior, nós não passamos nem meia hora na festa brasileira. Não deu, não rolou. Tudo bem que tinha lá o Jorge Benjor, mas o som estava histericamente distorcido, ruim mesmo. Não dava pra suportar nem de graça. Talvez com chope de graça, mas mesmo assim eu teria que escolher entre beber ou correr, e como esses dilemas hipotéticos costumam me estressar, mas estressar eu não posso por causa da Proibição, eu simplesmente fui embora antes do Lulu. O que me segurou um 'cadinho mais ali foi a curiosidade de ver como cerca de centenas de milhares de brasileiros se comportam coletivamente fora de casa. Eles se vestem de verde e amarelo e, tirando esse wardrobe malfunction, eles se comportam como o fariam no Brasil. Os japoneses acham isso tão exótico que não param de fotografar. Pensando bem, é exótico mesmo. Nós somos um povo de comportamento bastante exuberante.

Nossas meninas vestem verde e amarelo também, mas têm uma predileção mórbida por tops de lycra e a barriga (qualquer tipo de barriga) de fora. Talvez algumas sejam porto-riquenhas ou dominicanas, o que seria bom pra elevar nossa média fashionista. Não é possível que tantas brasileiras ainda tenham coragem de usar qualquer coisa de lycra com barriga de fora que não seja biquini, afinal a gente tem um acesso razoável à informação e ao Fashion Week.

Estava óbvio, pelo forte cheiro de cerveja no ar, que a galera estava bebendo em público, o que é contra a lei nos EUA. Na festa no Little Brazil, no entanto, beber em público não era a única infração comportamental presente. Como o evento ocupava o espaço de três quadras, a polícia de NYC achou de bom tom vedar o acesso do público aos cruzamentos, para facilitar a passagem ambulâncias ou outros carros de emergência. Adivinha a nacionalidade dos caras que pulavam o cercadinho e ficavam tentando jogar um blá nos guardas pra ficar ali, no bem-bão, com vista pro mar de gente?

Lamentável que o som estivesse ruim, mas foi ótimo sair de lá mais cedo do que programado, ir pra casa, descansar um pouco e então partir pro programa mais exciting, mais hardcore e mais esperado de todo o mês: a Nike+ Human Race. Mas isso é assunto pra outro post.

O Jorge Benjor, a julgar pela animação, não tinha a menor noção de como o som estava chegando pra galera. Com a topografia skyscrapiana de Manhattan, deve ser realmente difícil fazer essa engenharia de áudio.

Brasileiros resignados no bloqueio a mais de 5o0m do palco. Jorge Benjor era pouco maior que uma formiga.


Sujeito de camisa verde-amarela tentando convencer o policial a deixá-lo ver o show do cercadinho VIP no cruzamento da 45 com a Sexta Avenida. O policial não estava muito animado para prosear, não.


A namorada do cara já tinha até desistido, mas ele seguiu tentando, o que apenas comprova que ele é brasileiro (e por isso não desiste nunca).



Mulher de verde-amarelo samba animadamente na Time Square, quebrando as cadeiras e jogando os braços pra cima. Palmas pra ela! Turistas param pra ver e tirar foto, o que faz de mim, oficialmente, uma turista. Mas eu juro que não era a única. Atrás dela, uma moça de top de lycra com a bandeira do Brasil. Tenho pra mim que era mais uma argentina querendo nos denigrir.

Isto foi o mais perto que eu cheguei do palco: a bunda do palco. Grande bunda, by the way, o que torna esse palco oficialmente brasileiro.

Na frente do palco, of course, havia um cercadinho VIP repleto de celebridades e amigos de amigos de mucamas de celebridades, o que torna a festa do Little Brazil um evento oficialmente Caras. Ou bundas, como diriam as más línguas (a minha, extremamente venenosa, entre elas).

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