Este é o meu quartinho de bagunça. Da embalagem vazia de Chokito ao último livro do Saramago que eu não terminei de ler, você encontrará aqui de tudo um pouco.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Jogada a seus pés, moi?!?

Então o Globo me publica a foto do Gabeira enrolado numa toalha, como se fosse um mini-vestido, com asinhas vermelhas de fada ou, como diriam as más línguas, de um anjo caído do céu (apenas uma forma sutil de aludir a Lúcifer); e eu, porque sou franca e escrevo tudo o que penso (mas também tenho o hábito de me arrepender depois, fazer o quê?), disse no blog da Cora que é uma pouca vergonha o que a mídia está fazendo com o coitado do Gabeira, que taxar o pobrecito de diabo de sunga é praticamente pedir de joelhos pro eleitor do Crivela votar no paespalho do adversário, and so on, and so on, and so on.

Para o meu choque e horror, a Cora, que é uma pessoa sensata, disse (dois pontos): às vezes um charuto é só um charuto, assim como uma toalha vermelha é só uma toalha vermelha. Estou entre os leitores que não gostaram da foto, mas daí a transformá-la em vinculação ao demônio é extrapolar um pouquinho, né não?

Isso me fez ter o insight crucial de uma vida inteira: gente, hello-ow: eu exagero! Desculpa, tá, mas eu exagero!!!!!!!!!!!! Eu não sei simplesmente reportar um conto: eu t-e-n-h-o que aumentar um ponto. Não sei fazer um relato imparcial de coisa alguma, porque tudo o que eu conto terá, inevitavelmente, as cores que vejo (e acontece que eu vejo cores demais onde tudo que se vê é cinza). Portanto acabo de descobrir, e somente agora, no fim da vida, que eu não posso ser jornalista. Podem me pedir qualquer outra coisa: mate, Vanessa! Roube, Vanessa! Estupre, Vanessa! Tudo isso eu posso fazer, mas ser jornalista, que é bom, reportar as coisas como elas são, que é bom, ah, desculpa!, mas isso eu não posso.

Porque eu exagero, gente!

Não que eu use o exagero conscientemente como uma artinha para convencer o interlocutor do que digo: eu exagero para, primeiramente, me convencer do que digo, e só assim, devidamente convencida, eu exagero ainda mais para convencer adiante. Na verdade, eu só exagero porque preciso de convencimento. Em última instância, eu exagero porque sou extremamente cética. Se Jesus reencarnado arriasse de joelhos na minha frente operando milagres de tudo quanto é tipo pra me convencer, eu tenho pena é dele, pois eu não acreditaria. Sou ruim de cética! Minha doença é o ceticismo, e não o exagero.

Talvez por isso eu ainda não tenha contado aqui o episódio da fé etíope no Harlem. Depois de tanto tempo e distanciamento crítico do episódio, eu tenho certeza mais do que absoluta de que eu exageraria na narrativa, carregaria nas cores e distorceria os fatos, e eu não gostaria de distorcer os fatos pra vocês. Os meus amigos têm direito de saber a verdade, mas a verdade é a apenas a raiz quadrada de alguma coisa que eu já alterei com meu imaginário mágico.

Na verdade, eu não exagero: interpreto. À medida que passa o tempo, eu vou interpretando mais e mais, vou dissecando o fato-cadáver e lhe expondo as veias trágicas, as artérias cômicas e aí, quando vejo, nada resta do corpo além dos vasos tragicômicos anatomicamente preservados.

Mesmo pensando exageradamente assim, eu ainda acho que O Globo quis, sim, prejudicar o Gabeira com as fotos da sunga e da asinha vermelha de ontem. Não conseguiu porque, afinal de contas, o Gabeira estava nadando no Flamengo. Seria o fim do mundo se, além do vestidinho e das asas vermelhas, ele estivesse nadando no Vasco, porque aí não teria flamenguista que votasse nele. E vamos combinar que é melhor perder o voto de todos os vascaínos que de todos os flamenguistas, assim, quantitativamente falando.

Isso pode ser apenas um exagero da minha parte, mas eu duvido. E de minha incredulidade, eu sou testemunha!

PS: Gabi Amaral, minha musa, meu amor, meu raio de sol: por tua culpa, o Noblat me citou hoje em seu blog. Depois a exagerada soy yo! :-)

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