Este é o meu quartinho de bagunça. Da embalagem vazia de Chokito ao último livro do Saramago que eu não terminei de ler, você encontrará aqui de tudo um pouco.

segunda-feira, abril 27, 2009

Por isso eu corro demais


Ontem corri os 10km do Circuito Vênus no Aterro, e por causa disso tive direito a mimos inesperados. Embora eu soubesse desde o início que essa corrida completamente rosa tinha por objetivo-mór ser um lance completamente mulherzinha, a inusitada associação entre o supérfluo Yin e o esporte Yang acabou por me dar um insight grandioso sobre o meu desejo de permanecer séria nessa brincadeira de corrida-enquanto-esporte-e-filosofia-de-vida.

Na véspera da corrida, o grande dia da entrega do kit (objetivo número um de 5 em cada 10 mulheres ali), fui ao pavilhão do evento na Marina da Glória e ganhei um massagem nos pés (que os mais preciosistas gostam de chamar de reflexologia), uma massagem corporal relaxante e uma limpeza de pele facial. A limpeza de pele chegou na hora certa, pois minutos antes eu tive um encontro afetuoso e bastante salivar com o Luca, meu namorado canino douradão, que, como todo macho naquele pavilhão, estava ali apenas acompanhando uma fêmea ou duas com paciência máxima naquela longa espera pela prestação dos serviços (gratuitos) indispensáveis ao bem-estar da mulher moderna. Dever ser extremamente difícil ser uma mulher moderna sem manicure, esteticista, visagista e massoterapeuta. Imagina você, como pode uma criatura correr sem isso tudo!

Sinceramente, acho que tanto frufru acaba sendo um tiro no pé. Tudo bem ser mulherzinha, tudo bem correr com camiseta rosa, mas tanta massagem e dengo acaba amolecendo as carnes, vide a shiatsu cow, e uma corredora de verdade tem de ter as carnes duras e o coração forte. Ultimamente, eu tenho encontrado na corrida uma ferramenta para fortalecer meu coração no sentido mais pleno. É na corrida que eu acredito mais em mim, que eu venço minhas neuras e percebo que tudo o que eu quero, eu posso; é só uma questão de seguir em frente.

A corrida tem atenuado até minhas hipocondrias. Há uns 4 dias que estou com um edema dolorido da face medial do pé esquerdo até a metade da canela. Eu devo ter torcido o pé sambando entre quarta e quinta, não sei, e aí pintou essa dor claudicante que me impede de calçar qualquer sapato antes de passar uma hora e meia andando descalça e fazendo gelo ao acordar. Normalmente, eu iria me desesperar e correr pro Copa D'Or, mas desta vez eu pensei: quer saber? Eu vou correr 10km no domingo, então se for pra radiografar esta bosta, que seja depois da corrida, porque aí sim eu terei uma lesão digna de exibir a um médico de 12 anos de idade. E acordei cedo, fiz meu gelo, calcei meu tênis, pedalei 7km até a Marina, corri 10km, fiz uma massagem gratuita no pé (doeu um pouquinho), pedalei 7km e cheguei em casa curada. Curada!

O edema ainda está aí, mas por pura insistência da parte dele porque, de minha parte, eu não quero mais ter qualquer contato com isso. Amanhã é dia de corrida, e depois de amanhã, e depois, e a cada 2 dias, e a vida é isso: uma sucessão de desafios contra o tempo e o espaço e contra nossos próprios limites, porque a gente só se encontra de verdade entre os extremos. E eu corro pra encontrar meu caminho do meio. Eu vivo pra isso.

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