Este é o meu quartinho de bagunça. Da embalagem vazia de Chokito ao último livro do Saramago que eu não terminei de ler, você encontrará aqui de tudo um pouco.

quarta-feira, março 11, 2009

Enquanto a fábrica não fecha...

Quem não passou esse carnaval em coma, certamente leu ou viu na TV a incrível história de Tobi, o cão sambista que arrasou na passarela do samba, arreganhou os dentes pra quem tentou enxotá-lo e não se deixou capturar por nada. Ele desfilou sem comprar fantasia, sem participar de ensaios técnicos, e ainda digo mais: ele desfilou sem nem saber cantar o samba-enredo! Desaforo maior não há. Mas como ele é cachorro, e os cachorros são ridículos por natureza, a gente perdoa. Não só perdoamos: na verdamos, nós amamos o Tobi porque ele é um exemplar clássico de fidelidade canina, e ele só estava ali, no meio daquele auê todo, porque estava completamente engajado na missão quase-impossível de reencontrar os donos fujões.

Carnaval e a semper fidelidade canina

Tobi mora num morro de São Cristóvão. São Cristóvão não é super longe da Apoteose, onde o Tobi desfilou, mas entre um lugar e outro tem tanta rua perigosa, tanta via expressa cheia de carros velozes e furiosos que um cão dificilmente sobreviveria ao trajeto a pé de São Cristóvão à passarela do samba. O Tobi, no entanto, sobreviveu, porque ele resolveu fazer a viagem de ônibus, junto com seus donos. Quando ele viu a galera toda entrar no coletivo, achou muito natural ir com eles, afinal seu único trabalho na vida é estar com seus humanos e defendê-los de outros cachorros. Num ônibus cheio de gente e alegorias, o motorista nem notou que transportava um passageiro atípico, então a família do Tobi achou muito legal o imprevisto, chegou no sambódromo, se concentrou com a escola, desfilou e, na hora de ir embora, quem disse que eles encontraram o cachorro? O coitado ficou perambulando perdido pelo sambódromo por 4 dias, procurando seus donos em todas as escolas de samba com alguma bunda discretamente de fora. Essa deve ter sido a referência dele, imagino, porque nas imagens da TV, ele está sempre atrás das bundas de fora. E sempre olhando pra cima, o sem-vergonha! Aí os donos conseguiram localizar o cachorro, um bombeiro piedoso deu uma carona pro cão-folião até o pé do morro, e ele subiu pra sua casinha todo frajola.

Nesse ínterim, o Beethoven, um outro cão sambista dos arredores, se fez passar pelo Tobi, ganhou crachá com foto de Lucas Landau e o coração de uma humana legal, e gravou pro Fantástico algumas cenas cheirando a bunda do cão-folião verdadeiro na semana seguinte pra mostrar que não ficou qualquer ressentimento entre os dois.

Ontem a Bia me disse que o Tobi, antes do carnaval, tinha engravidado uma vizinha e estava com nada mais, nada menos que nove filhotes. Todos a sua fuça do pai! Como ele não tem condições de sustentar essa galera toda (porque vida de celebridade instantânea tardia não paga lá essas coisas), ele precisa de nove voluntários bacanas, do tipo escravinho-dedicado, pra adotar seus rebentos, que já estão com 30 dias de vida.

Para mais detalhes sobre o caso Tobi e seus nove peludinhos, clique aqui. Os interessados podem mandar e-mail para vanorresponde arroba gmail ponto com ou fazer contato com a produção do Fantástico. Não quero desanimar, não, mas a esta altura eu duvido muito que tenha sobrado algum filhotinho do semper-fi cão-folião. Cão que aparece no Fantástico acaba tendo o sêmen leiloado a peso de ouro no Mercadão Livre de Madureira. É muita sorte do Tobi ter donos com a cabeça no lugar, do tipo que castra. Porque quem ama, castra, minha gente. Não deixem ninguém convencê-los do contrário.

Quem quiser esse DNA fiel em casa é bom tratar de correr, porque a fábrica de cachorro vai fechar nas próximas semanas, quando o cão-folião será devidamente castrado, amém.

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