Este é o meu quartinho de bagunça. Da embalagem vazia de Chokito ao último livro do Saramago que eu não terminei de ler, você encontrará aqui de tudo um pouco.

quinta-feira, junho 04, 2009

Encontrado

No início da semana, quando dei um rolé pela Rua da Amargura, que fica num bairro super ghetto da alma, acabei encontrando por lá meu superego malditinho querido. Estávamos os dois tão sorumbáticos e amuados, que acabamos fazendo as pazes sem muito colóquio. Eu disse que não podia me amar demais que acabava ficando deprimida; ele disse que não sabia viver sem me escrotizar, embora ele só faça isso por amor - que o meu superego me ama, me ama muito (o que é muito natural, pois é muito fácil me amar assim - ok, talvez este seja um ranço da época em que o superego malvadão me faltou). Então nos abraçamos, nos beijamos e fomos felizes para sempre.

Falei pro meu superego que estou gostando de um cara que não pode gostar de mim, e foi só eu dizer isso pra ele começar a me horrorizar e dar nomes terríveis para todos os meus 20 dedinhos podres. Segundo ele, eu padeço de putrefação digital crônica e seria muito mais feliz se meus dedos finalmente caíssem. Mas não! Eu tenho de usar esses dedinhos podres pra escolher (a dedo!) justamente as pessoas mais erradas pra mim.

Um parêntese aqui: como eu senti saudade do meu superego maldito! Nossa relação é tão mágica, a gente se entende tão bem... Nada contra as criaturas que se amam demais. Em "Comer, Rezar, Amar", por exemplo, surge um personagem de auto-estima fantástica que diz algo do tipo: "Esta roupa não me favorece, mas eu me amo tanto que não consigo me achar feia." Eu juro que achei essa mulher bacana, mas quer saber? A gente tem de desconfiar de uma pessoa que não consegue se achar feia, porque ou ela é lobotomizada, ou é colega de prateleira da Barbie - e a gente nunca deve acreditar em seres que não articulam as perninhas.

Enquanto isso, meu superego bonzinho parece um pouco enciumado. Logo ele, que achou que dessa vez iria me conquistar; logo ele, que achou que o sumiço "do outro" abriria minha alma e meus ouvidos pras coisas legais que ele sempre tem pra me dizer (declarações controversas como "eu adoro a sua voz, mas prefiro que você não cante"); logo ele, que aparenta o cansaço existencial de quem espera na fila há décadas pra que eu me apaixone por ele. Os anos passam e eu continuo me apaixonando por uma multidão de homens (errados) - mas a vez do meu superego bom nunca chega. Quem mandou ele ser bom pra mim?

"Enquanto não encontro o homem certo, sigo me divertindo com os errados." So true, baby. So damn true.

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