Este é o meu quartinho de bagunça. Da embalagem vazia de Chokito ao último livro do Saramago que eu não terminei de ler, você encontrará aqui de tudo um pouco.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Feliz Ano Bom, queridos!

Que tenhamos muita saúde em 2008. E se as coisas não andarem assim, uma Brastemp, que a gente não se sinta derrotado em momento algum.



Que em 2008 -- e sempre -- tenhamos muita fé, porque não acreditar é uma espécie de derrota.




Que sejamos ainda mais férteis em 2008: de idéias, de amores e de amizades. Aqui "nesta terra, em se plantando, tudo dá". (Pero Vaz)

Que nossas virtudes se destaquem sobrem nossos vícios.

Que, em 2008, o tempo seja mais simples de controlar; que tenhamos mais tempo para cuidar dos amigos, dos projetos, de nós mesmos, e que ainda tenhamos tempo para fazer todas as outras coisas e ficar com a barriguinha um pouco por ar. Mas que haja muitas coisas pra gente fazer, porque o tempo sem ocupação é uma grande tortura.



Que em 2008, a vida nos seja leve e as tristezas passem ao longe. Mas, sobretudo, que as alegrias não passem despercebidas, nem mesmo por um efêmero segundo. E que o o ano bom venha repleto dessas alegrias, sobretudo daquelas que nos lembrarão pra sempre do verdadeiro sentido da vida. O amor é só um deles.

Rio 40 graus


Rio 40 graus
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Urca, Praia Vermelha.

domingo, dezembro 30, 2007

Mea culpa, Joel.




"God Must Hate Me"

Last night I just wanted to have fun
To go out with my friends
I took my dad's car
I never thought he would find out
But I crashed in a wall
Man I'm dead
I guess it's no use
I'm screwing up ever little thing I ever try to do
I was born to lose
Yeah yeah yeah yeah

God must hate me
He cursed me for eternity
God must hate me
Maybe you should pray for me
I'm breaking down and you can't save me
I'm stuck in hell
And I wanna go home

Last night I had to study for this test
I forgot man I'm dead
And now my brain is bursting out of my head
I can't think I can't breathe
Once again

I guess it's no use
I'm screwing up every little thing I ever try to do
I'm born to lose
Yeah Yeah Yeah Yeah

God Must hate me
He cursed me for eternity
God Must hate me
Maybe you should pray for me
I'm breaking down and you can't save me
I'm stuck in hell and
I wanna go home

So what in the world am I supposed to do?
I never did anything to you
So can't you find something else to do?

God Must hate me
He cursed me for eternity
God Must hate me
Maybe you should pray for me
I'm breaking down and you can't save me
I'm stuck in hell and
I wanna go home
(God must hate me)
I wanna go home
(God must hate me)
I wanna go home
(God must hate me)
I wanna go home
(God must hate me)
I wanna go home
(God must hate me)
You can't save me
God Must hate me now

sábado, dezembro 29, 2007

Momento histórico


Momento histórico
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Cora, pela primeira vez em muitos dias, de calça jeans. Noite de contemplação na Lagoa com a Bia.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Para a minha irmã.


Para a minha irmã.
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Sam, lembra da Roberta e do Felipe? Pois este é o Roger, muito prazer! Ele chegou dia 23 de novembro e é bem cabeludo, uma graça.

Somebody loves me.

video

O título original desta apresentação é "God Must Hate Van". Geralmente, eu concordo com isso, mais pelo fato de eu desprezar o papel do Todo-Todo na vida de qualquer pessoa (afinal de contas, elas morrem), do que por ingratidão pela beleza que me cerca.

Então, Joel, porque você é meu amigo, e porque eu tenho os melhores amigos do mundo, e porque esse pequeno vídeo me fez lembrar que a minha saúde mental é perfeita, porque eu não nego amor nunca, acho que seria bastante justo que ele fosse rebatizado de "God Must Love Van". E é muito importante que você saiba que nenhum presente que eu ganhei em toda vida me fez chorar tanto, e olha que eu choro! Preciso levar o computador com esse vídeo pra minha analista hoje e ver qual é meu prognóstico.

terça-feira, dezembro 25, 2007

VanOr responde -- Natal 2007

Querida VanOr,

Meu nome é Pedro Augusto, ex-PeuGuto, ex-Fantástico Engolidor de Pilhas, atual O Cara. Tenho 5 anos e começo a achar que Papail Noel não é tão concreto quanto o monstro Beleléu, que leva os brinquedos que eu não guardo, embora Papail Noel compareça todos os anos e, neste, o Beleléu só apareceu uma vez, e pra minha Djindinha no carnaval de Salvador, mas ela o agarrou pela camisa, cravou as unhas profundamente nas carnes de sua bunda, Beleléu ficou muito assustado, mas mesmo assim deu conta de fugir com 50 reais que ela ia gastar em pipoca e refrigerante. Eu acho. Não importa. A questão é que eu acho que Papai Noel é estranho. Explico:


- No início ele era gordo. Meu pai é gordo. Se Papai Noel estava, meu pai sumia. Estranho.
- Depois ele ficou alto e veio de tênis. Meu pai tem um amigo com um tênis igual àquele, e quando o Papai Noel veio, o tio sumiu. Estranho.
- Este ano, Papai Noel veio ainda mais alto, sem gorro e com o cabelo torto, no meio da testa. Achei estranho ele conseguir arrumar o cabelo, porque eu não consigo mudar o cabelo de lugar. Djindinha também reparou e disse que ele tinha vindo de moto, por isso perdeu o gorro e o cabelo ficou todo doido. Achei estranho, mas o mais intrigante é isto:

- Há umas duas semanas, eu e meu pai fomos ao shopping entregar minha carta pro Papai Noel. Nos anos anteriores, meus pais colocavam a carta no correio, mas este ano ficou em cima, então fomos direto ao Papai Noel. Tirei foto com ele, mas achei que o bom velhinho estava muito diferente do que eu me lembrava, então pedi pro meu pai ligar pra Djindinha, que é a veterinária da família, pra saber se alguma doença escandinava tinha acometido o cara. Reparei que sua barba era meio amarela. Nos desenhos, a barba do Papai Noel é branca. Djindinha me garantiu que a barba branca, de verdade, é meio amarelada. Só que a barba do Papai Noel de ontem, o que trouxe presente, era branca. Estranho pacas.

Enfim, pô: Papai Noel existe ou não?

beijo grande,

O Cara Grande

***

Querid'O Cara,

Esta talvez seja a pergunta mais difícil que eu já recebi em toda a vida. Geralmente as pessoas me trazem dilemas existenciais ridiculamente fáceis de resolver com uma saraivada de joelhaços, mas este... caraca! Vou tentar pelo começo. Ou pelas beiradas.

Sua Djindinha disse que a barba de verdade é amarelada? Estranho. Ela tinha uma avó de cabeça bem branquinha, e essa avó tinha quase a mesma idade do Papai Noel, por isso ela sabe muito bem que o cabelo branco de verdade pode ter tonalidades entre o cinza e o azulado, dependendo do xampu tonalizante que a pessoa velha adote. Xampu tonalizante sai a cada lavagem, de forma que é possível (estou tentando entender o mistério, calma) que Papai Noel tenha usado um xampu amarelo, tipo o Johnson, pra lavar a barba no dia que você o encontrou no shopping; já no Natal, esse amarelo tinha saído completamente, porque Papai Noel toma muitos banhos por dia nesta época do ano. Ou seja: ficou com a barba branco de novo. Então já resolvemos o problema da cor, vamos ao da altura, da largura e dos calçados inadequados.

Nem todas as pessoas são gordas para sempre. Muitas pessoas gordas fazem cirurgia de redução de estômago, dieta, se apaixonam ou adoecem, e aí ficam magras. Papai Noel pode ter feito todas essas coisas. Além disso, em Salvador, porque é tão quente, as pessoas ficam mais altas porque dilatam. E dilatam pra cima e pros lados, mas como o Papai Noel só come depois de distribuir todos os presentes, ele só pode dilatar pros lados quando você já está dormindo. Por isso que ele é gordo de dia e magro de noite.

Quanto aos sapatos, você é pequeno demais pra entender como é difícil estacionar um carro - quiçá um trenó cheio de renas! - nesta época do ano. Aí, o que Papai Noel, coitado, é obrigado a fazer pra ganhar tempo? Estaciona no shopping mais próximo e corre, de tênis, de casa em casa. Senão não dá tempo, que Natal só dura um dia, e um dia só dura 24 horas. Você já sabe contar até 24? Então.

Resumindo, depois de muito matutar, com toda a sinceridade do meu coração: Papai Noel existe, sim. E sua Djindinha é ridícula: onde já se viu Papai Noel de moto?!? A gente só anda de moto se tiver capacete, e eu nunca vi Papai Noel de capacete! E coitadas das renas: se Papai Noel arruma uma moto, elas vão ficar desempregadas, e perder o emprego no Natal é o fim da picada.

beijo ainda mais grande, digo, maior,

VanOr

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Já vi muita coisa estranha...


Já vi muita coisa estranha...
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.... mas estou encantada com isto. Talvez seja a fome, só que a gente não pode começar sem o bom velhote. Este deve ser o íltimo ano de fé cega no pólo norte e nos correios. O Cara anda desconfiado...

Ainda mais bonito!


Ainda mais bonito!
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Agora com nariz de morango e orelhas de damasco.

Homens ao fogão, espetáculo de decoração

Este ano minha mãe deixou meu pai decorar o pernil. Ele se inspirou em Monstros SA e fez essa coisa primorosa. Eu e O Cara gostamos, mas acho que no ano que vem os homens só lavarão panela.

domingo, dezembro 23, 2007

Feliz Natal


Blecaute
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Todo ano eu perguntava pra minha avó o significado do Natal, Páscoa e essas datas que a gente comemora com gastronomia e capitalismo selvagem. Ela enrolava muito, porque escolhia as palavras pra manter minha atenção (eu desviava o olhar se ela tocasse nas palavras proibidas, e as palavras proibidas eram todas aquelas que me lembravam do maldito colégio de freiras onde eu fui espancada aos cinco anos por causa duma merda dum kichute). No final, a conclusão (minha) era sempre a mesma: essas datas só foram inventadas -- e só servem -- pra manter a família unida. Todo o resto é firula.

Que o Natal de vocês cumpra plenamente esta nobre função afetivo-social, e que seja, de preferência, repleto de crianças, peludos ou outras criaturas que nunca foram expulsas do idílio, seja pela presença marcante de uma avó explicativa, seja pelas crenças persistentes que atravessam séculos. Tudo vale a pena quando a família não é pequena.

Eu tenho a maior família do mundo, em todos os sentidos.

Baiano não dorme no ponto.


A Tarde recomenda...
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Deu n'A Tarde de ontem: a perfeita vítima de assalto esquematizada. Vale pra Salvador, pro Rio e, sem exagero, acho que um banner assim, bem grande e em 4 línguas diferentes, no desembarque internacional de todos os aeroportos do país, talvez tivesse poupado a vida do italiano que rolou pra baixo de um ônibus quando lutava com um ladrão pelo cordão de ouro do pai na Praia de Ipanema.

É só falar em assalto no Brasil que os ufanistas de plantão vêm logo contar que perderam suas máquinas fotográficas, suas filmadoras, seus laptops e até suas carteiras, ó, na frente do Coliseu romano ou numa praça de touros qualquer. Tenho pra mim que assalto nesses locais é pagação de karma. No Brasil, é só um lembrete: não dá pra blindar, tudo, minha gente. Ou seja, é karma também.

Há dez dias, em Ipanema, um cara de bicicleta tentou arrancar o celular da minha orelha enquanto eu falava e andava, à luz plena do dia, numa Visconde de Pirajá recheada de guardas na Operação Natal. Seguiu-se uma breve troca de ofensas, tão logo me refiz do susto:

- Filho da puta!, gritei.
- Vai se fuder! E a voz dobrou a esquina da Joana Angélica, onde as vítimas aguardavam sua vez, civilizadamente, nas filas dos restaurantes.

***

Agora, cá entre nós: chamar relógio de riqueza é coisa fina, não é? A que ponto chegamos? (suspiro)

sexta-feira, dezembro 21, 2007

E a culpa vai para...


E a culpa vai para...
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O comandante acaba de dizer que o vôo pra Salvador atrasou 3 horas porque tem uma greve de carregadores em Buenos Aires. Primeiro eles nos dão barrinhas de cereais, e agora querem que passemos o Natal magoados com os hermanos. Existe antídoto pra globalização da culpa?

O nome desta dieta é...


O nome desta dieta é...
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... fobia de aeroporto. Começo assim que voltar. Acabo de descobrir que perdi o tesão de decolar. Por enquanto são apenas 120 minutos de atraso, mas eu não consigo simplesmente relaxar e gozar. Preciso de chocolate, algum cognac, algum tarja preta, algum ipod e um livro que me desligue do resto do mundo. Preciso escrever esse livro.

Rumo a Salvador


Rumo a Salvador
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Eu fui pro aeroporto assim, vendo o mundo de ponta-cabeça. De repente, tudo me pareceu ainda mais familiar. Será que a gente se acostumou a retificar as coisas? Será que tudo não seria mais bonito se torto permanescesse? Ou verdadeiro? Anyway, tou divagando. Feliz Natal a todos.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Ofensas escolares



Padre Quemedo e o suposto Fioducapeta duelando. Isso me lembrou o dilema nabundiano e meus anos (sem trocadilhos, por favor) de escola.

O vídeo, na íntegra, está em http://www.youtube.com/watch?v=oF4n6E5gK3Y&feature=related.

ATENÇÃO, MILÍCIA DA MATURIDADE, MORAL E BONS COSTUMES: ESTE VÍDEO É CONTRA-INDICADO PARA PESSOAS ALÉRGICAS A PALAVRÕES.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Hora do almoço


Hora do almoço
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"Um típico quadro de transição, no qual as vozes do passado se negam a morrer e o futuro, com suas efusões de luz e de maldade, não passa de um balbucio desconcertado". (in "O passado", de Alan Pauls)

segunda-feira, dezembro 17, 2007

We are the champions, my friend!

E eu achei que a Educação no Brasil fosse caso de polícia. Será que alguém pode colocar a porra do FBI atrás do ministro de educação desses caras aí?

Ainda entre nós


Ainda entre nós
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Não consegui cumprir minha palavra e levá-la pro mato, e noto que ela anda fazendo sua fotossíntese contrariada. Está mais alta e mais magra. Talvez esteja sofrendo. Não há borra de café que a anime mais. Na verdade, ela não gosta de nada óbvio. Plantas são muito exigentes. :o(

Calças curtas

Você sabe que não está tão velho assim quando seu pai conta que passou boa parte da vida escolar em calças curtas. Sempre que ela fala isso, penso se calças curtas = bermuda, mas tenho vergonha de perguntar e ofender a confraria das calças curtas.

Enfim, lembrei disso porque hoje ele recontou uma história que eu adoro, da época em que ele passou das malditas calças curtas (= fedelho) pro colegial (= calouro), onde ele sofria do mesmo jeito, só que de calça comprida. Meu pobre pai sofria na escola porque sempre foi bom aluno e, como todo infante bobão, corria pra mostrar pros colegas suas provas marcadas com o parabéns da professora e a nota dez a todo fim de bimestre. Aí chegavam os veteranos e diziam:

- Ah, tirar dez não significa nada, quer ver como você não sabe tudo? Imagine-se neste dilema: você tem uma cachorrinha chamada Nabunda e está com ela num bote, num rio. O bote fura e você, o que faz? Leva Nabunda ou deixa Nabunda?

Meu pai ficava roxo, mudo e não respondia coisa alguma. Ele tinha cachorro em casa, ora bolas, não queria e nem podia deixar seu peludo morrer afogado, mas as opções dos veteranos tampouco serviam pra ele. E punha-se no caminho de casa pensativo e furioso, até que trocava o dilema por uma tarde empinando pipa, e pronto: no dez seguinte, num minuto de distração, os veteranos sempre o pegavam no mesmo dilema mortal. Leva ou deixa Nabunda, coitadinha?

Passaram-se meses, até que meu pai, sordidamente, ao pretexto fraco de um nove, foi ter com os veteranos novamente. E, novamente, eles desdenharam da nota e vieram com o dilema nabundiano: leva ou deixa? Dessa vez, no entanto, meu pai tinha a resposta na ponta da língua:
- Nabunda nada!

E, desse momento em diante, passou ele mesmo a ser um veterano no front escolar de ofensas cerebrais, onde menino só sobrevivia se tivesse uma mãe em casa, pra manter pura e casta, e outra mãe na rua, pra ser objeto da desonra dos amigos.

PS: da primeira vez que meu pai contou essa história, e eu devia usar lá minhas calcinhas curtas, eu sugeri uma saída menos genial, mas bonitinha até: Nabunda usava bóia nos braços.

Ato falho

Avó e neto conversam ao telefone.

- Meti um gol no time azul.
- Então seu amigo que fica no gol do time azul é franjeiro, né?
- Não, vovó. Ele é muito bom!

Escrevam o que eu estou dizendo: a descrença dessa avó no talento futebolístico de seu neto ainda vai acabar em terapia em grupo, de casal e familiar. E não custava nada ela ter dito:

- Aê, mandou bem! Quem mete gol no time azul mora no coração da vovó pro resto da vida e mais além!

Emfim. Não custava nada.

domingo, dezembro 16, 2007

Nove


Nove
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Existe vida após o pôr-do-sol.

Healing


Healing
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Sunset at the right spot.

sábado, dezembro 15, 2007

Natal GDB 2007: bebê a bordo


Natal GDB 2007: bebê a bordo
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Wal, Prima e Nina. O Beto não saiu na foto pra não ficar redundante.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Entrevista da Rita na Coluna "Melhor Amigo"

Clique aqui para assistir à entrevista na íntegra.
Acho que só funciona com o Internet Explorer.

Pra quem não sabe, a Rita é minha chefe.
E sim, é possível ser chefe sem ser uma vaca leviana, pergunte à Rita como. :-)

Meus cãolegas da Guarda Municipal

Danna e Hulk. Show dogs a serviço da educação.

O jambo no asfalto


O jambo no asfalto
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Meet my micro-enemies!


Meet my micro-enemies!
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Dirofilaria e vírus rábico. Evite que esses vilões visitem seu peludo. Leve-o ao veterinário regularmente.

Rita e sua microfilária


Rita e sua microfilária
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O verme de pelúcia vem até com coleira. Um luxo!

Rita e sua raiva


Rita e sua raiva
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É um vírus da raiva de pelúcia que veio de algum museu da ciência americano. O máximo!

Festa de 90 anos do IJV


Festa de 90 anos do IJV
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Comemorei com uma gata linda da Mangueira. Básico.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Como parei de fumar em 24h

Eu sei que este post vai parecer tendencioso, mas o que não é? Se até o Bonner é, então liberou geral.

Há dois dias eu comprei um maço de cigarros. Estava profundamente deprimida, pano de fundo ideal para a dependência química. Fumei dois cigarros direto e até traguei, ora com tosse, ora sem tosse. Olhei meus dentes no espelho para ver se eu tinha causado alguma espécie de dano irreversível ao esmalte dental, guardei o maço, respirei profundamente (pra ver se eu tinha causado alguma espécie de dano irreversível à minha função pulmonar) e percebi que a única coisa que me aproximava da morte depois daqueles cigarros eram os 15 minutos transcorridos.

Cada minuto que passa, é um minuto a menos para a morte.

Parei de fumar porque felizmente conheço formas mais prazerosas de gastar meus últimos minutos. E óbvio, parei de fumar porque nunca comecei de fato. Pelo menos já posso colocar a experiência no meu currículo. Vai que me chamam para fazer um quadro em Jack Ass!

quarta-feira, dezembro 12, 2007

A mentira revelada


A mentira revelada
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A carne milimetricamente fatiada para revelar seus vasos, fáscias e nervos, deixando claro que nada existe sem que um coração bata - ou deixe de bater - nos bastidores. Todo o resto é mentira. O carpaccio é uma grande metáfora. E como toda metáfora, uma grande mentira.

Choveu forte em Copacabana.


Choveu forte em Copacabana.
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Mas agora faz sol. Depois me perguntam de onde vem tanta ciclotimia.

O IJV na Coluna Melhor Amigo!


O IJV na Coluna Melhor Amigo!
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Amanhã, às 12h, no RJ TV, a Rita vai ao ar com nossos peludos para falar à repórter Milla Burns sobre adoção e posse responsável. Eu recomendo!

Link para a entrevista na íntegra aqui.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Pensando na morte, não necessariamente da bezerra.

Comprei meu primeiro maço de cigarro na vida: um Sampoerna cravo e canela, ultra light, mais mulherzinha impossível. Vem com 20 cigarros. Fico pensando quantos eu terei de fumar até morrer de câncer. As chances são horríveis: conheço gente que fuma há 40 anos e nem sinal de câncer ainda.

***

Ele tinha passado dois dias semi-consciente, sob efeito forte da morfina. Pouco depois do meio-dia, inesperadamente, despertou e perguntou as horas à sua mãe. "Meia noite", ela disse, para que ele não percebesse que tinha estado sedado. Nesse momento, tocou na rádio uma música da Elis, "Como nossos pais". Ele cantarolou a estrofe, sorriu e morreu. Fim.

***

Eu cantava "Como nossos pais" pra ele dia sim, dia não. Muito antes da gente saber da existência da morfina ou das coisas que trariam a morfina pro nosso dia-a-dia. Dias felizes aqueles. Tinha até espaço pra gente contar estrelas no céu e inventar nomes de constelações para as pintinhas das costas.

***


O fentanil é um tipo de morfina que a gente usa pra evitar a dor no trans e pós-operatório, pelo menos em veterinária. Um dia, confesso, com medo duma cadela sentir dor, dei-lhe 1 ml de fentanil a mais do que deveria. Passei a tarde toda ao lado dela, observando seus movimentos respiratórios e monitorando seus batimentos cardíacos, na esperança de que meu desejo angustiante de evitar a dor não a prejudicasse. Ela passa bem, nunca passou mal, mas eu nunca mais vou conseguir usar o fentanil como as outras pessoas. A morfina nunca mais terá o mesmo significado para mim.

***


Um dogue alemão morreu na mesa operatória ao meu lado: tumor hepático inoperável. Eu estava na anestesia da castração de uma rottweiller e comecei a salivar pelo ladrão quando ouvi dizer que o tumor -- ao lado -- era hepático e inoperável. Fiz ânsia de vômito quando o tumor saiu da sala, numa bandeja de aço inox, rumo à anatomia patológica. E passei a tarde toda chorando porque o dogue alemão que acabara de morrer tinha o meu peso, mas não era eu. Meus colegas, claro, riram de mim.


***

Com tanta gente boa morrendo por aí, por que eu tenho de permanecer viva? Por que a vida não se cala?

segunda-feira, dezembro 10, 2007

O Rei do Futebol

Meus pais, vocês todos sabem, são loucos pelO Cara, Pedro Augusto, O Grande, O Único, O Fantástico e Internacionamente Conhecido Devorador de Pilhas. Mas os avós também têm seus pecados e, vasculhando bem, descobri onde eles são imperfeitos no papel de avós-de-guarda das causas indefensáveis. Flagrei-os falando que meu sobrinho, justo ele, O Cara, não sabe jogar futebol. Fiquei revoltada:

- Como assim, não joga?
- Ih, coitado. Puxou ao pai: afinidade zero com a bola. Talvez tenha alguma chance no judô.

- Mas ele AMA futebol! Me pediu chuteiras de Natal, pô. Um cara que pede chuteira aos 5 anos é gênio. Aos 5, juro por Deus, eu nem sabia o que era chuteira. O cara entende do roçado.
- É, o vocabulário dele é bem vasto nessa área, minha mãe se ri. O amigo dele é franjeiro, mas ele, não, que ele usa carneleira.
- O Cara só tem 5 anos! Ninguém consegue falar tudo corretamente -- ou jogar futebol corretamente -- aos 5 anos!!! Vocês estão cometendo uma injustiça sem precedentes históricos. Quando ele for o Rei do Futebol, vou proibi-lo de autografar a camisa 10 de vocês!

Climão na mesa do jantar. Meus pais tentam atenuar com histórias do passado:

- Seu irmão era um desastre no futebol, mas até que se virou bem. Taí, ó: engenheiro formado pelo IME, superintendente de qualidade da nãnãnã...
- É, mas não foi graças ao incentivo de vocês! Que se vocês não o tivessem tirado do judô, talvez ele hoje fosse presidente do Brasil.

E eu só ouvi minha mãe suspirar:
- Mas os amiguinhos viviam sentando o cacete nele, coitadinho... O que uma mãe faz numa hora dessas?

Pano rápido. Meu filho vai nascer numa piscina de bolinha de futebol e terá aulas de krav-magá a partir dos 6 meses. E sem carneleira, que isso é coisa de franjeiro.

domingo, dezembro 09, 2007

Anistia Internacional

É seu problema, sim. É problema de todo o mundo. Divulgue, participe, ajude: http://www.br.amnesty.org/index_camps.shtml

PS: obrigada, Aldo.

sábado, dezembro 08, 2007

É caso de Police!


É caso de Police!
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Preciso de uma cerva. A camiseta que define a merda que está sendo a organização desse show. Estamos na fila há uma hora e ainda estamos a 20 pessoas do único caixa pro único bar no gramado. Foda.

Corra que o Police vem aí!


Corra que o Police vem aí!
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Estamos juntas em todos os programas indígenas, afinal somos guerreiras, praieiras, estamos solteiras, quer mais o quê? Se a gente sobreviveu ao asa arreia, arreia, arreia, arreia, arreia, arreia, nada nos impedirá.

Noites do Pão de Açúcar


Noites do Pão de Açúcar
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Bebel Gilberto no Morro da Urca. Maravilhosa cidade, maravilhoso tudo!

Eu e meu melhor amigo!


Eu e meu melhor amigo!
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Olha como a gente está feliz!

quinta-feira, dezembro 06, 2007

A origem da Princesa

Canis princess familiaris

Imagina se um dia os cães aprendem a ler e acessar a internet. E imagina se um dia a minha Princesa chega aqui e lê o último post, em que ela é reduzida a uma mera prima de origem desconhecida do Povo Brasileiro, este sim, um cara com origens profundas, digno da querela de humanos. Por mais estranho que possa parecer, escrevo este post correndo, antes de ir pro trabalho, só pra evitar que minha Radija fique magoada por eu falar mais do Povo do que dela, ou até imaginar que eu goste mais de um que de outro (rrrrubbish!). Há riscos que a gente simplesmente não pode correr.

O Povo era castrado. Em casa de veterinário que não cria uma determinada raça, todo peludo é castrado, porque se tem uma categoria de pessoas que só trepa com o próprio pau, esta é a dos veterinários. Até inseminação artificial a gente faz pra evitar a monta, somos terríveis e talvez profundamente perturbados. Ou não. Estou elucubrando, vou direto ao assunto.

A Radija nasceu em berço de ouro, por isso é uma Princesa. Minha avó tem um cachorro não castrado, e minha tia Wanda, sua vizinha, tinha uma única cadela não castrada. Na roça é assim, as pessoas acham crueldade "castrar o pobrezinho", mesmo quando o pobrezinho não é marido, vai entender. Um dia, meu primo Alexandre, adolescente rebelde na época, abriu o portão de uma casa e outra para promover a tarde de núpcias dos pais da Radija. O fígado dele foi devorado por isso, mas já que o resultado era inevitável (em família católica, aborto é tabu), minha tia começou a anunciar os filhotes da Lindinha antes mesmo de nascerem. Arrematamos uma fêmea, e marcamos no calendário o dia aproximado de sua chegada.

Quando a Radija nasceu, no dia do aniversário de minha mãe, uma coincidência linda, já tinha até enxoval esperando por ela. Mas eu, que sou hipocondríaca, aconselhei meus pais a não escolherem a prima do Povo logo de cara, pelo menos não antes do desmame. Isto, em veterinária, equivale à paranóia humana de não anunciar gravidez antes do terceiro mês: muita coisa pode acontecer ao filhote nessa fase, melhor não fazer muitas projeções. Passado o desmame, minha mãe logo se encantou com a filhote mais gorducha e peluda, com olhos pintados de cajal, e como era o ano da novela O Clone, que ELA ACOMPANHAVA (not my fault!), batizamos nossa pastora islandesa de Radija. Devia ser o nome da filha da protagonista, ou de um dos clones da protagonista, se é que a protagonista tinha clones. O importante é que a Radija tinha olhos de burka, portanto era árabe, apesar de islandesa, e, como árabe, seria a companhia ideal para o Povo, que, apesar de brasileiro, é galgo iraquiano. Estou tentando arrumar mentalmente a árvore genealógica internacionalmente complicada da minha nobre família peluda, perdoem-me pela confusão.

Agora eu vou resumir muito pra não ter o fígado devorado pela minha chefe: a Radija era um probleminha dos meus pais e do Povo, que, até sua entrada em nossa casa (mas não em nossas vidas), nem sonhava que teria de dividir seu território e vida boêmia com um filhote pentelho. Eu cheguei a ser contra, mas como era favorável ao escoamento solidário de filhotes não programados no seio de nossa família, relaxei. Minha princesa passou a ser meu probleminha quando:

1) O caseiro do sítio lhe fraturou 4 metacarpianos de uma só vez, com uma pisada "sem querer". Até que a gente achasse outro caseiro, porque sem querer de cu é rola, ela ficou no Rio sendo cuidada por mim. Aproveitei que ela me olhava muito e castrei. Comigo não tem papo.

2) Sumiu do sítio, depois de ter andado atrás de seu primo impaciente, e não conseguiu achar o caminho de volta - acho que já contei esse causo aqui. Pra evitar que ela tornasse a se perder pela estrada afora, meu pai construiu um campo de cãocentração gigante ao lado de nossa casa, em Miguel Pereira, e até que suas janelas caninas e canteiros de gramas tenras ficassem prontos, a filhota ficou morando comigo em Santa Teresa. No início, eu falei pra ela não me olhar daquele jeito que meu coração era impermeável a olhos pintados de cajal, mas ela começou a fazer tanta merda (se eu não fosse veterinária, diria que era pra chamar minha atenção), que eu tive de ter um particular com ela. Depois daquele sermão da montanha, combinamos que ela poderia dormir na cama comigo, mas só por uma noite, o que corresponde à mentira humana do "só a cabecinha".

3) Ela comeu o pobre jabuti do alemão Frank, que trabalhava na casa em que eu morava. O quelônio ficou internado por dois dias na clínica de um amigo, mas não resistiu aos graves ferimentos (se eu descrevesse, vocês vomitariam), e morreu. Acho que foi o labrador Toro, um atormentado mental que passava o dia na nossa creche canina, quem a ensinou que caçar pode ser uma coisa divertida, porque o dálmata Lúcio só caçava mangas e bolinhas, e olha lá. Eu sei que a Radija, então com 5 meses e já castrada, aprendeu rápido demais com o Toro, e junto com seu colega de caçada, causou um pequeno desastre ecológico em Santa Teresa, nas imediações de nosso quintal. Eu aprendi a acordar mais cedo que todos para esconder os cadáveres de gambás e ratos produzidos pela Radija (e talvez, mas muito dificilmente, pelo coitado do Lúcio, que tinha problemas esqueléticos graves demais pra isso). O episódio do jabuti tinha reduzido drasticamente sua popularidade na república em que moravámos, e eu não queria que ela fosse expulsa. É muito humilhante, até pra um canino, ser expulso de uma república por mau comportamento.

E aí, finalmente, depois de ter passado 5 meses debaixo de minha asa e na minha cama, o canino Radija sofreu para sempre um upgrade nominal, taxonômico e afetivo, e se tornou minha princesa, dona de uma metade exata do meu coração (caso o Povo esteja lendo este post).

terça-feira, dezembro 04, 2007

A posse do Povo Brasileiro


Como vocês sabem, meu pai nunca lê meu blog, então eu às vezes falo do blog nas conversas à mesa. Quando a gente mora junto com outra pessoa há muito tempo, não raro, falta assunto.

Assim, hoje ele ficou sabendo que eu já coloquei fotos do Povo e da Radija no blog. Ele queria que eu tirasse as fotos do Povo imediatamente, porque teme que o antigo proprietário de nosso galgo iraquiano o reconheça e reclame sua posse e guarda. Na verdade, o antigo proprietário do Povo Brasileiro, como é típico, era a rua da amargura. Eu o resgatei da sarjeta, sarna, cinomose e bicheira numa manhã de primavera no Fundão, e o cara veio aqui pra casa só pra se recuperar. No entanto, como é típico do Povo Brasileiro, ele gostou da hospitalidade, do nosso queijo minas (que ele roubou de cima da mesa na primeira semana), e foi ficando. Uma vidinha mais ou menos, adestrou a gente rapidamente a passear com ele nove vezes por dia, depois ganhou um sítio com caseiro, depois um muro com janelas de altura própria à contemplação canina, depois uma prima pra lhe fazer companhia, e lá se vão nove anos.

O que é o grande medo do meu pai -- parar em um tribunal pra lutar pela posse de um cachorro inconfundível (realmente, ele é o único galgo iraquiano no mundo!) -- é o meu maior sonho. Eu adoraria viver essa novela. Fico imaginando meu primeiro diálogo com o malfeitor querelante:

- Você quer esse cachorro?
- Sim.
- Muito, muito?
- Muito.
- Não serve outro? Eu tenho cerca de 130 cães e gatos maravilhosos na Mangueira, aptos à adoção.
- Mas eu quero este, que é meu.
- Por qué no te callas?

***

Acho que só nos contos de fada, daqueles com monarcas que defendem seu reino heroicamente, alguém lutaria pelo Povo. Ainda mais sendo o pobre brasileiro.

domingo, dezembro 02, 2007

Módis operandis

Você sabe que está ficando velho quando ouve adolescentes falando animadamente no elevador sobre coisas que você jamais conseguiria falar em público, exceto em casos extremos de embriaguez. Na minha época, isso era chamado de tabu. Hoje em dia, vai lá no Houaiss pra ver: o verbete nem existe mais.

Eu sei que não é de hoje, mas quer ver um assunto que era nojento antigamente e hoje parece ser normal? Prisão de ventre. Ou seja: cocô encravado. Basta ligar a TV no comercial entre os blocos do jornal da manhã -- geralmente quando a gente está tomando café da manhã -- para ouvir depoimentos emocionantes de mulheres que ficaram mais leves, magras e bonitas depois que um determinado iogurte milagroso as ajudou a evacuar. Sinceramente, eu teria vergonha de falar disso na TV, mesmo se fosse atriz e bem paga por essa ingrata tarefa, e olha que eu sou descarada!

Mas o que me fez corar recentemente foi o assunto "menstruação" no elevador. Duas meninas do meu prédio, que até ontem limpavam meleca na manga do uniforme da escola, discutiam animadamente sobre suas regras e seus absorventes preferidos. Eu moro no décimo segundo, e no meu condomínio é necessário pegar dois elevadores até chegar à rua, de forma que eu acompanhei o papo por cerca de cinco minutos.

- Ah, aquele verde que eu peguei na sua bolsa outro dia é um lixo! Dá a sensação de que a gente botou um ovo.
- Verde, na minha bolsa?!? Ai, viajou!... Eu só uso o nãnãnã, que é rosinha, e às vezes, no desespero, eu uso o tãtãtã, que também é rosa, só que mais fino e longo. E mesmo assim eu o-d-e-i-o esse longo, porque às vezes dobra nas pontas e gruda nos pentelhos.

Pentelhos, eu pensei. Puxa vida. Eu teria vergonha de falar dos meus pentelhos no elevador. Devo estar muito velha.

- Sua louca, era verde, sim! E eu te provo: naquele dia que a gente foi ver (um filme tipo Velozes e Furiosos XII), a gente passou na farmácia e só tinha esse, e você comprou porque era o único slim com abas. Era esse ou tatatax, e você disse na hora que tatatax não usa porque sempre fica saindo na portinha.

Ó, céus,
pensei. O tatatax ficou mal parado no meio do caminho, isso é horrível.

- Aaaaaaaiiiiii, lembrei! Ih, é. Esse verde aí deve ter apodrecido na minha bolsa, porque eu o-d-e-i-o. Parece de plástico, deixa a gente suada, assada e fedida. Um lixo.

Não sei explicar bem o porquê, mas dei um passinho em direção à porta do elevador de tão nervosa que eu estava por estar presa num elevador com duas adolescentes ansiosas por falar sobre coisas que, na minha época, eu só tratava por metáforas e eufemismos (como: "Vê se aconteceu um desastre ecológico?", quando eu pedia pra uma de minhas amigas olhar -- discretamente -- pra minha bunda para ver se eu tinha um borrão de menstruação entre as coxas ou se era só suor.) Aguardei, como quem espera tomar uma pedrada, a retomada do assunto "dificuldade de aplicação de absorventes internos", porque isto sim me tornaria 50 anos mais velha do que realmente sou, mas elas divagaram para dois outros assuntos que eu também jamais discutiria no elevador: menarca -- um verbete que, inexplicavelmente, ainda está no Houaiss -- e, obviamente, sexo.

- Nesse assunto, eu posso te dizer, sou mais experiente: fiquei menstruada pela primeira vez quatro meses e oito dias antes de você!
- Ai, sua ridícula, e nem assim você sabe enfiar um tampax direito no lugar.
- Mas eu sou virgem, minha filha, e você já d...

Silêncio do outro lado. As duas olharam discretamente pra mim, mas eu estava tão velha, mas tão velha, que tinha praticamente encolhido ao ápice de minha obsolescência. A não virgem, que eu juro que não identifiquei visualmente pra não fazer julgamentos morais típicos de gente velha, aproveitando que estava sozinha com sua amiga no elevador, arrematou:

- E você não sabe o que está perdendo, mané, porque sexo é bom demais!

A porta abriu e, quando eu saí, lívida, uma supresa: tinha acabado de desembarcar no século XXI, mas com roupinha de XX. Eu devia me enxergar.

***


UPDATE IMPORTANTÃO: O Tom esclareceu o mistério do tabu, graças ao pai sagrado! O verbete ainda existe no Houaiss, mas está encravado, o que me leva a outro tópico relevante: para facilitar a vida da geral que não domina o português, coloquei um link aqui, na coluna da direita, para a tradução automática deste blog pro inglês. Tive o carinho de apelidar a página de VanOr for dummies, minha modesta homenagem anglo-protestante à língua de Shakespeare que eu tanto prezo, e o Google nheca. Desde que fiz essa caridade, tenho me divertido horrores lendo as traduções malucas daquele que tudo sabe e tudo vê, mas que, como tradutor, daria um ótimo poodle de madame. Tomem por exemplo esta pérola, que mataria Henry Miller de inveja: "I know that is not today, but want to see something that was nojento past and today seems to be normal? Prison for belly. In other words: cocô stuck." Lindo de viver!

Que planta é essa?


What plant is this?
Originally uploaded by Van-Or
Esta é a minha planta. Ela era feliz e florida no dia 27 de outubro de 2007, quando a comprei no Zona Sul. Alguém aqui entende de planta? As plantas que a gente compra em supermercado morrem um ou dois meses depois ou ainda há esperança? Esta planta gosta de sol ou precisa ficar na sombra? Gosta de água ou precisa passar sede? Tem alguma alma caridosa que possa me responder essas perguntas? A planta não acordou nada bem esta manhã. Acho que ela está doente.

Isto é normal numa planta?

Parece que ela sofreu amputações. Podem ser vestígios de flores que cairam, podem ser novas flores, mas não parece pra vocês que ela está descamando? Será que plantas transmitem doenças a humanos? Será que esta planta está doente? Será que minha homeopata acharia estranho se eu levasse a planta comigo na próxima consulta? Ou minha analista?

PS: a imagem sumiu. Definitivamente, isto não é normal numa planta. Ela deve estar possuída pelo coisa ruinzinha. Alguém conhece algum exorcista de plantas?

sábado, dezembro 01, 2007

planta


planta
Originally uploaded by Van-Or
Tenho um novo animal de estimação. É uma planta. Eu a chamo de planta, embora eu desconfie que sejam três irmãs. Ela(s?) tinha(m?) flores, mas todas cairam. Tenho a impressão de que ela está em sofrimento. Alguém aqui sabe onde se compra comida para plantas? Por via das dúvidas, borrifei Rescue Remedy nela. E reguei. Talvez até demais.

Le Grand Content

Um vídeo hilário baseado no conteúdo de um de meus sites preferidos, indicação maravilhosa do Ken, o Indexed (veja link na coluna à direita).

Título alternativo: O existencialismo desmistificado em gráficos.

The Danish Poet 2/2

Uma historinha de amor singela

The Danish Poet - parte 1.

É em inglês. Mesmo se eu soubesse pôr legendas, não poderia: não entendo os nomes escandinavos.

Bebel pra presidente do Brasil!

Se uma mulher luta por sua bolsa, um italiano por seu pai, um rei pela democracia (há!) de seu país e até um bebê gato por seu atum, por que nosso representante é tão bundão con los hermanos de los hermanos?

Em tempo: o vídeo, os gatos e os pés perfeitos são da Jussara Razze, grande Jussara (adorei!)

Como o diabo gosta.

Estou aqui em minha cama, com um copo old fashioned de French Connection numa mão e uma garrafa de beaujolais ao alcance (just in case), Sonya em meu colo, extamente como os laptops devem se portar, pronta pra escrever o que não quis escrever nas últimas semanas, na débil esperança de que a vida melhoraria, mas -- surprise, surprise! -- ela não melhora nunca.

Uma mulher lutou com um ladrão por sua bolsa. Foi proclamada rainha remida do bairro, mas se recusa a aparecer na TV com medo de ser rastreada e aniquilada pelos amigos dos amigos. Vocês sabem o que é "amigo dos amigos": o Lula é amigo do Chavez, que é amigo da ditadura, e por aí vai. Tem muita grana, poder e potencial bélico por trás dos amigos dos amigos, em todos os níveis e nichos de corrupção.

Se eu fosse essa mulher que lutou por sua bolsa, posava nua pra playboy, dava entrevista pra Luciana Gimenez, iria ao Faustão e ainda faria uma ponta numa novela das oito, só pra não deixar passar em branco que sexo frágil de cu é rola, por mais contraditório que posar pra playboy possa parecer nesse contexto. Chamemos essa estratégia de mídia intensiva de outra coisa, pra que não caiamos no lugar comum do "toda vaca que se preze posa pra playboy ou faz uma ponta na Globo". Mídia é mídia, e clipagem se mensura em exemplares vendidos e centimetragem, e caras, contigos e fatos & fotos sempre têm mais centímetros que uma notinha numa coluna escrota social qualquer.

E já que meu superego foi pro raio que o parta, vou falar aqui o que acho das colunas sociais: odeio todas. E mais não digo pra não deixar de ser convidada pra festas e quetais, embora isso raramente aconteça por motivos de trabalho maior (eu sempre trabalho cedo no dia seguinte). O jet set não precisa acordar cedo, mas eu preciso. Então foda-se o jet set, que só será digno do meu amor quando conhecer as luzes da alvorada em circunstâncias não festivas.


O French Connection me fez perder o medo do Amaretto. Beneditta seja a França, pela invenção acidental do brandy e pelo drink que ora bebo, e bendita seja a Espanha, por ter um rei como os de contos de fadas, que mandam o vilão calar a boca e lhe arrancam o coração populista em público, pro delírio da plebe rude.


Eu sou rude, eu sou plebe e eu estou visivelmente em busca de uma droga pesada o bastante pra me livrar dessa clausura angustiante que é a vida.

Talvez a Luciana Gimenez, talvez o Faustão ou, quem sabe, a novela das oito? Há dias em que sonho com suco de cicuta; outros em que sonho com um French Connection de licor de cianetto. O gosto não há de ser diferente.

PS: ainda bem que eu não tenho mais que ler as merdas que o adsensoderidículo fará com os posts que escrevo. Capaz dele começar a vender aqui o site de fofocas da Dirce me disse ou até revistas da editora April.