Cães que ralam

Cães que ralam
Originally uploaded by Van-Or.
Essa nareba linda pertence ao cão farejador Martin, da Guarda Municipal. Tudo esse cara quer cheirar, dá vontade de encher peludo ti beijume.
Este é o meu quartinho de bagunça. Da embalagem vazia de Chokito ao último livro do Saramago que eu não terminei de ler, você encontrará aqui de tudo um pouco.
Essa nareba linda pertence ao cão farejador Martin, da Guarda Municipal. Tudo esse cara quer cheirar, dá vontade de encher peludo ti beijume.
Amigos meusVinicius de Moraes
Ah, meus amigos, não vos deixeis morrer assim... O ano que passou levou tantos de vós e agora os que restam se puseram mais tristes; deixam-se, por vezes, pensativos, os olhos perdidos em ontem, lembrando os ingratos, os ecos de sua passagem; lembrando que irão morrer também e cometer a mesma ingratidão. Ide ver vossos clínicos, vossos analistas, vossos macumbeiros, e tomai sol, tomai vento, tomai tento, amigos meus! – porque a Velha andou solta este último Bissexto e daqui a quatro anos sobrevirá mais um no Tempo e alguns dentre vós – eu próprio, quem sabe? – de tanto pensar na Última Viagem já estarão preparando os biscoitos para ela.
[...]
Pelo bem que me quereis, amigos meus, não vos deixeis morrer. Comprai vossas varas, vossos anzóis, vossos molinetes, e andai à Barra em vossos fuscas a pescar, a pescar, amigos meus! – que se for para engodar a isca da morte, eu vos perdoarei de estardes matando peixinhos que não vos fizeram mal algum. Muni-vos também de bons cajados e perlustrai montanhas, parando para observar os gordos besouros a sugar o mel das flores inocentes, que desmaiam de prazer e logo renascem mais vivas, relubrificadas pela seiva da terra. Parai diante dos Véus-de-Noiva que se despencam virginais, dos altos rios, e ride ao vos sentirdes borrifados pelas brancas águas iluminadas pelo sol da serra. Respirai fundo, três vezes o cheiro dos eucaliptos, a exsudar saúde, e depois ponde-vos a andar, para frente e para cima, até vos sentirdes levemente taquicárdicos. Tomai então uma ducha fria e almoçai boa comida roceira, bem calçada por pirão de milho. O milho era o sustentáculo das civilizações índias do Pacífico, e possuía status divino, não vos esqueçais! Não abuseis da carne de porco, nem dos ovos, nem das frituras, nem das massas. Mantende, se tiverdes mais de cinqüenta anos, uma dieta relativa durante a semana a fim de que vos possais esbaldar nos domingos com aveludadas e opulentas feijoadas e moquecas, rabadas, cozidos, peixadas à moda, vatapás e quantos. Fazei de seis em seis meses um check-up para ver como andam vossas artérias, vosso coração, vosso figado.
E amai, amigos meus! Amai em tempo integral, nunca sacrificando ao exercício de outros deveres, este, sagrado, do amor. Amai e bebei uísque. Não digo que bebais em quantidades federais, mas quatro, cinco uísques por dia nunca fizeram mal a ninguém. Amai, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido. Mas sobretudo não morrais, amigos meus!
1965
Peludoterapia intensiva
As receitas não são minhas, mas eu confesso que uso muito:
Receita um, uma receita de ternura:
Só amigos do peito, desses que quando perguntam "como vai você?", de fato esperam ouvir a resposta verdadeira; desses que podem te ver desgrenhada e vão te achar ótima de qualquer jeito. Não importa onde, como, com quantos, quando e nem por quê. Será sempre uma boa festa.
Receita dois, uma receita de balacobaco:
* um quarto de homens maravilhosos, inteligentes, divertidos e porventura gays;
* um quarto de bofes heterossexuais bonitos, nem tão inteligentes, nem tão divertidos, mas disponíveis;
* um quarto de mulheres sexual e/ou intelectualmente agressivas;
* um quarto de amigos queridos que, por definição, não se encaixam em nenhum estereótipo e podem interagir à vontade com a biota local.
Entrou vendendo cartões de aniversário no ônibus que peguei pro trabalho de manhã. Fez piadas de aniversário e farejou aniversariantes. Fiz-me de morta. Não fosse a infernia, teria fugido com o circo.
Última tardinha dos 33 e o inevitável balanço: foi bom para caráleo! Que venham os 34!
Dez anos depois, em função de uma hiperatividade que só a raiva gera, ela finalmente baixou as 200 fotos de seu celular para o computador. 200 fotos depois, seu parassimpático estava devidamente estimulado, seu tez macia e seus olhos brilhantes. Boas recordações neutralizam a caralha da mocréia infernizadora por alguns valiosos instantes.
Tá certo, Rosemary, também não foi moleza pra você...
Depois de um final de semana foda, em companhia extraordinária;
Depois da segunda-feira pós-idílica com tudo que uma segunda-feira pós-idílica pode ter de ruim pelo simples fato de não existir idílio numa segunda-fucking-feira;
Depois de mentalizar cinquenta mil, oitocentas e cinquenta e sete vezes a música da Rita Lee que diz que "se me der na telha eu sou capaz de enlouquecer e mandar TUDO praquele lugar....";
Depois de fazer uma lista de prós e contras, comparando Shangri-lá ao mundo real em que vivemos;
Depois de ligar pra minha analista solicitando encarecidamente uma hora extra esta semana, que sem hora extra, não vai dar pra engolir esse gole de cicuta (ah, mas não vai mesmo!);
Depois de constatar que faltam dois dias pro meu aniversário, e que o único grande presente que eu consigo desejar, de coração, é que o coraçãozinho hipertenso da criatura que me inferniza o caralho da vida pare de bater de repente, de forma fulminante, de preferência na minha frente que é pra eu poder não acudir, e que essa síncope cardíaca não seja indolor...
que Deus é justo, Deus é Pai e Deus sabe o que faz!...
... declaro que não foi desta vez que eu passei sem um inferninho astral.
Arrumei um peludo pra chamar de meu em Tiradentes. Reparem que ele deitou no meu pé e tomou a calçada só pra gente.
Hoje meu sobrinho de três anos, aquele lá de Salvador, passou por uma espécie de emergência pediátrica. A coisa deu-se mais ou menos assim: a Bel, empregada sindicalizada do meu irmão, reparou que um brinquedo do PêÁ estava sem bateria e perguntou: Quedê a bateria deste brinquedo, Pedro Augusto? Ao que ele respondeu, muito naturalmente: Eu comi. Bel achou tudo natural, que na Bahia tudo é espontâneo e duma lindeza tamanha, e foi minha cunhada - paulista - quem estranhou a pilha ter ido parar na barriga da criança. Sendo ela uma primípara, e por isso uma sem-noção do que fazer no advento da ingestão de uma pilhazinha pequena pelo filho, ligou pro meu irmão perguntando o que fazer. "CORRA JÁ COM ELE PRA UM HOSPITAL, EU TE ENCONTRO LÁ NA EMERGÊNCIA!"
A vinheta do Snoopy me deu muita saudade dum Beagle que morou com a minha família por cinco anos quando eu era criança, o Polaco. Éramos duma promiscania só, Polaco e eu. Ele tinha mania de fazer o que quisesse: não admitia ter sua liberdade limitada a um reles quintal, então tratou de aprender a pular o muro e fazer seu pipizinho em todos os postes de Miguel Pereira, de Paty a Portela, comendo em casa de gente pobre e assistindo TV em casa de gente rica, nos matando de vergonha quando o encontrávamos plantado nalgum sofá alheio, d'onde estranho algum o tirava, por mais que o sofá não fosse seu.
Ele tinha um sofá só pra chamar de seu na casa de Miguel Pereira, e era ali que todos os amigos do meu irmão dormiam quando chegavam bêbados demais da naite. Se tinha uma coisa que Polaco não suportava era gente bêbada no sofá dele, mas esquecia de tudo isso quando eu chegava em casa na sexta à noite e ele se mudava pra minha cama até o domingo de tardezinha. Às vezes ele não estava em casa quando eu chegava pro fim de semana. À chegada, eu largava as bolsas no jardim, corria pro quintal e me punha a gritar pros morros, pra estrada, pras casas dos vizinhos, pra dentro do meu coração aflito e louco de saudades: Polaco, Polaco, Polaco! Não dava dois minutos e despontava ao longe uma pontinha branca de rabo quebrado levantando poeira na escuridão; e quando ele corria era tão bonito de se ver, que ele contraía o cantinho dos lábios como que sorrindo, e as orelhas batiam umas nas outras como palmas em câmera lenta.
Do Polaco, só tenho boas recordações, tantas e tão boas que eu raramente visito esse diretório, que é pra não aumentar o nível dos rios e mares com minhas lágrimas de saudades, uma saudade que só faz aumentar com o tempo, nunca vi coisa igual. O cachorro que me ensinou que o amor é bicho que não sobrevive preso no quintal, a despeito do meu respeito quase fanático por ele, tinha dois graves defeitos:
1) Rolava em cima de bosta de boi, tendo predileção pelas secas, mas é bem verdade que errava às vezes o julgamento da secura e ficava todo tingido de verde-cocô, me obrigando a enfiá-lo na banheira em plena madrugada invernal, que era dureza dormir com um cara fedendo a entranhas de ruminante;
2) Não olhava pros lados antes de atravessar a rua.
E numa triste sexta-feira, eu cheguei a Miguel Pereira e gritei aos sete ventos: Polaco, Polaco, Polaco! Mas meu Polaquinho, meu bicho solto, nunca mais voltou pra casa. E eu acho que resolvi fazer veterinária só pela microscópica chance de reencontrá-lo na vida, na ativa, tratando dum tumor venéreo ou duma orelha rasgada em briga, e pendurando a despesa na conta da Poodle do vizinho.
Deu no Gente Boa! Noite de solteiros hoje no Jobi.
Daisy, eu, Zan, Tati e, na fila de trás, Joel e Giovanne.
Tempo médio de espera para atendimento na Farmácia Popular do Brasil: 25 min. Pelo preço, vale esperar. Há cadeiras para isto e o público é prevalentemente idoso.
FAQ SOBRE FARMÁCIA POPULAR DO BRASIL:
1) É necessário dar atestado de pobreza pra usá-la? Não, qualquer pessoa pode usar o programa.
2) Eu posso comprar Xenical, Viagra e outras drogas de consumo por impulso na Farmácia Popular? Não. A FP vende apenas os 107 medicamentos listados aqui. Só tem remédio básico e espada.
3) Qual a vantagem de se comprar remédio na Farmácia Popular? O preço. Se você comprasse na Farmácia Vita, por exemplo, uma caixa de Amoxicilina 500mg genérica da Medley, pagaria R$10,78 por 15 compridos. Na FP, a mesma quantidade de cápsulas sairia a R$2,85. Dependendo do medicamento, sobretudo no caso de antibióticos, a diferença pode facilmente ultrapassar R$50,00.
4) O que é necessário pra comprar remédio na Farmácia Popular? Um receita médica com seu nominho completo no campo de identificação do paciente (e receita azul, em caso de medicamentos controlados), assinada e carimbada por um médico, um documento de identidade e dinheiro, que a FP não aceita AMEX, VISA, DINNERS nem MASTERCARD.
5) A receita precisa ser do SUS? Não, pode ser de médico particular.