Histórias pra boi dormir.
Era uma vez um lobo mau e uma chapeuzinho lilás. E foram felizes para sempre!
Este é o meu quartinho de bagunça. Da embalagem vazia de Chokito ao último livro do Saramago que eu não terminei de ler, você encontrará aqui de tudo um pouco.
Era uma vez um lobo mau e uma chapeuzinho lilás. E foram felizes para sempre!
"Eu podia estar aqui roubando, matando e até estuprando, mas eu tou só pedindo: do que quer que vc esteja comendo, eu quero dois."
Recebi em minha caixa postal um lindo poema que aqui não publico sem a devida autorização do autor. Era tão lindo, mas tão infinitamente lindo, que me calou todas as vísceras, secou-me todas as lágrimas, fez sumir meu passado e me tornou toda presente. Que presente querido! Tão querido que me deu esperança de futuro, de um dia... de um dia, quem sabe, eu saber viver sem o grande amor da minha vida, de todas as minhas vidas. Amor esse que já morreu. Que a vida é boa, mas deu de me tomar justo isto.
A ausente
Vinicius de Moraes
Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à idéia dos meus.
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro...
Amiga, última doçura
A tranqüilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar...
Depois que deletei meu perfil do orkut e minha vida tornou-se uma tranqüilidade só, eu recebi uma série de e-mails de uma lista de amigos sobre uma queridinha nossa que se viu forçada a adicionar, em sua conta do orkut, um pentelho trevas, daqueles que encravam e abcedam. As mensagens, todas hilárias, traziam fotos e recadinhos comentados desse sujeito no orkut da querida. Morri de vontade de fazer parte desse bochicho, já que às vezes falar mal dos outros é necessário pra esquecermos de nossas próprias esquisitices. Porém, como orkutexcluída há uns 2 meses, eu só pude escutar bem quietinha.
Gravidez: 9 meses sem TPM.
Atualização importante: OK, vocês me convenceram de que gravidez está mais para 9 meses de Tensão Pré-Nascimento da Cria (TPNC, que maravilha!) que pra 9 meses sem TPM.
Tudo bem, eu encaro. O que são nove meses de TPNC pra quem já viveu 33 anos disso? ;-)
"Sou super amigo de todas as minhas ex-esposas", disse ele gabando-se de seus altos espíritos. "Pois eu, se fosse tua ex, preferiria te ver morto a ser tua amiga", respondeu, libertando seus baixos espíritos.
Amanhã haverá um letreiro da Argh!Body Tech no lugar deste. C'est fodes.
Tributo à melhor academia de ginástica do Rio
A Ibeas Top Club cerra amanhã suas portas para dar espaço à Universal do Reino de Deus das academias de ginástica, a A!BodyTech. Hoje, em vez de arrastar minhas correntes de preguiça por seus corredores, máquinas e aparelhos, como eu deveria - que depois dos 30 não fica fácil pra ninguém -, tive uma crise de nostalgia: fiquei minutos a fio alisando seus letreiros e chorando diante dos quadros informativos depenados, prontos para a afixação dos novos horários e aulas da novargh! academia. Diante de tamanha ruína, não tive energia nem pra fazer meia horinha de esteira.
E olha que eu comi um cookie de chocolate contando com essa meia horinha!
Comecei a fazer ginástica na Ibeas em 1997. Era novidade pra mim malhar indoors, que toda a minha vida eu pratiquei, embora tenha sido péssima em tudo, esportes ao ar livre. Na época, eu tinha acabado de me formar e estava naquele limbo entre o fim das aulas e a emissão do diploma, sem o qual eu não poderia trabalhar, só estagiar. Mas como estagiar era o que eu mais tinha feito durante a faculdade, dei-me merecidas férias e fiquei sem ter o que fazer. Como a mente ociosa é oficina do demo, resolvi "malhar". Morria de rir ao dizer isso, achava super cafona tudo que parecesse ter saltado do roteiro fraquinho de "Malhação" e nutria um desdém medonho por todas aquelas figuras estereotipadas de academia: a loura boazuda de malha branca, o fortão que se admira no espelho entre uma série e outra de bíceps, o professor de musculação pegador profissional. Aí, não sei bem como a coisa se deu, mas em poucos meses eu era a boazuda de malha branca que fica na fila da frente da aula de local, fiquei super amiga de um professor de musculação que se tornou meu personal training a troco de permutas lícitas e morais e namorei uns 3 caras desses que levam espelho de bolso pra musculação. Ou seja, eu me misturei legal com aquela gentalha, tanto que eu quase sempre era confundida com uma marombeira qualquer.
Nesses quase 10 anos de Ibeas, eu fiz capoeira, street dance, kick boxe aeróbico - que depois virou aero-kick-boxe, que depois virou KiBoAe -, dança de salão, jazz, ballet, ginástica natural, ginástica sexual, dança do ventre, power yoga, hatha yoga, ashtanga yoga, swasthya yoga, xywkxyhw yoga, step, power step, body pump, body attack, body balance, body combat, body step, body jam, hip hop, axé, local, GAP (glúteos, abdome, pernas), alongamento, power ball (ou ball power, sei lá), body stretch, spinning, cycle indoors, RPM, circuito, circuitinho, circuitão, running class (aula de esteira, é mole?), pilates, rpg, aulão dentro, aulão fora, musculação, personal, hidro, sauna, drenagem linfática, limpeza de pele, manicure e, é óbvio, um sem número de amigos bacanas. E depois de fazer tudo o que eu tinha que fazer, série de braço e série de perna, rolava aquela ducha esplendorosa e um caipisakê de kiwi (sem açúcar!!!) com a galera e o dono da academia, André Ibeas. Pode parecer piegas, mas o fato de ele estar sempre conosco, alunos, na aula e na bagunça, no esporro e na cachaça, me dava a sensação de que eu não estava apenas queimando reais e calorias numa empresa, e sim de que eu pertencia a uma família.
Hoje eu não passo nem um quinto do tempo que eu passava numa academia em 1997. Peso 7 kg a mais, tenho quase o dobro da gordura corporal e, quando muito, metade da disposição. Mas o que vai ser mais difícil de superar neste cenário de devastação será o fato de que foi-se a empresa familiar e entrou um fast food em seu lugar: sem alma, sem história e, sobretudo, sem os rosas da marca e da família Ibeas.
Nada como uma noite agitada para se pensar na vida. Pensei muito sobre minhas últimas tentativas de namoro (dos babaquaras que voltam pra ex àqueles que têm uma noiva tijucana) e concluí, após muito conversar com amigas e casais heterossexuais estáveis, que meu próximo par só será viável se:
Homem solteiro hetero tudibom mas geograficamente inviável. C'est fodes.
ATUALIZAÇÃO IMPORTANTE: Ele está lendo Paulo Coelho só pra implicar comigo!!!
Festinha de aniversário. 30 pessoas. Apenas 3 homens heterossexuais solteiros. Dois são DJs on duty. Não tá fácil pra ninguém.
'O problema do herói, agora, passa a ser como ele irá responder ao Chamado. Ponha-se na situação dele e verá que é um momento difícil. Estão lhe pedindo que responda "sim" a uma grande incógnita, a uma aventura que vai ser emocionante mas também perigosa. De outra forma, não seria uma aventura de verdade. (...) [ Mas] Quando você está realmente a ponto de empreender a grande aventura, de alguma forma o Mundo Comum fica sabendo disso, e agarra-se em você'. (Vogler, a chamada do escritor).
Galera animada na festa mensal dos Escravos da Mauá, na praça onde os políticos vendem suas mães por 2 real em duas vezes.
Se eu não arrumar um namorado agora, se mata! :o)))
Não, bicho, eu tô rindo de nervoso: quase desmaiei diante da coluna da Cora de hoje. Estado de choque geral. Pensando seriamente em comprar uma passagem só de ida pra Patagônia, me enturmar com os pingüins...
Some day he'll come along,
The man I love;
And he'll be big and strong,
The man I love;
And when he comes my way,
I'll do my best to make him stay
Recebi por e-mail. Che pecatto, diria minha mamma. Engraçado pacará, diria uma mulher de 33 do tipo que come churrasco na sexta-feira que de santa não tem nada.
OS MANUSCRITOS DO BAR DA SANTA CEIA
por Cesar Cardoso
"E Jesus tomou do pão e fez uma bolinha com o miolo e tacou
dentro do copo de vinho de Bartolomeu. E Jesus acertou em cheio. E Jesus viu
que era bom. E transformou a água em vinho, os pratos em capacetes romanos,
os copos em pequenas cruzes, os guardanapos em posters da Maria Madalena de
biquíni e dois garçons em estátua de sal. E Jesus viu que era muito bom. E
Simão obtemperou: já não tereis bebido demais, ó Senhor? Não seria de bom
alvitre pedirdes a conta? E o Senhor falou: por que não encherdes o saco de
outro, ó Simão? E vamos parar de falar na segunda pessoa do plural que esse
negócio de vós isso e vós aquilo é um saco! E Tiago olhou Jesus e ponderou:
mas Senhor, vós, quer dizer, tu, não, o Senhor ainda tem dois sermões para
fazer hoje, no Monte das Bananeiras e no Morro da Mangueira. E Jesus mais
uma vez protestou: vocês estão marcando um monte de sermão e milagre sem me
consultar. Assim eu vou acabar partindo para uma carreira solo. E Judas se
levantou e disse: Senhor, abriu uma nova casa de show de um romano amigo meu
lá no Calvário. Se o Senhor quiser eu posso falar com ele. E os apóstolos
condenaram Judas. E começaram a bater boca. E uns, mais exaltados, ameaçavam
partir pra briga. E Jesus deu um murro na mesa e bradou: chega! Não dá nem
pra gente sair pra se divertir que vocês já começam com essa brigalhada!
Essa é a última ceia que eu faço com vocês! Garçom, a conta!
E os apóstolos se calaram e o garçom trouxe a conta. E Jesus
viu que havia doze porções de linguicinha. E Jesus viu que não era bom. E
Jesus esbravejou com o garçom. E o garçom falou que doze era o número de
pratos de linguicinha na mesa, bastava contar. E Tomé tomou da palavra e
garantiu que só tinham sido pedidas seis linguicinhas e que as outras seis
Jesus é que multiplicara. E o garçom resmungou que esse golpe de dizer que
alguém multiplicou coisas na mesa já estava pra lá de manjado ali na
Galiléia e que todo fim de semana aparecia um engraçadinho com essa
história. E Jesus continuou olhando a conta e indagou se Pedro havia pedido
lagosta de novo e lembrou a Pedro que eles haviam combinado que ninguém
pediria lagosta pois era um peixe muito caro. E Pedro negou que tivesse
pedido lagosta e afirmou que lagosta não era peixe, era crustáceo. E Jesus
retrucou que lagosta podia ser até um coleóptero mas não era pra pedir. E
por três vezes Jesus insistiu com Pedro se a lagosta era dele. E por três
vezes Pedro negou Cristo: eu não pedi porcaria de lagosta nenhuma, eu tenho
alergia a frutos do mar! E Mateus perguntou: mas afinal, lagosta é crustáceo
ou é fruto do mar? E Judas mandou Mateus fechar a matraca. E Paulo acusou
Judas pela lagosta. E Judas caguetou que quem pediu a lagosta foi a Maria
Madalena. E Maria Madalena xingou Judas de dedo-duro e caiu em prantos e
implorou que Jesus a perdoasse. E Jesus disse: ó Madalena, o meu peito
percebeu que o mar é uma gota comparado ao pranto teu! E Maria Madalena
achou lindo e Jesus viu que era bom e João queixou-se: eu não entendi. Essa
mania que o Senhor tem de falar com metáfora ainda vai dar confusão. E
Arnaldo suplicou: explicai, Senhor. E Jesus deu outro murro na mesa: já
falei pra parar com essa história de vós! Aliás, quem foi que te convidou
pra nossa ceia, hein? E Arnaldo saiu de fininho. E o garçom trouxe a nova
conta e perguntou quem é que ia pagar. E novo bate-boca se iniciou entre os
apóstolos. E Jesus pegou a conta e determinou: Judas, você é o nosso
tesoureiro e portanto terá que pagar a conta. E João observou: viu só, sem
metáfora dá pra entender muito melhor. E Paulo deu uma cotovelada em João e
João se calou e Jesus entregou a conta para Judas e Judas reclamou: mas
Senhor, estão faltando trinta dinheiros, como é que eu vou arranjar essa
quantia? E Jesus calçou suas sandálias e disse, partindo: se vira, Judas, se
vira."
Pergunta do meu pai ao me ver de touca e cachecol: "traz um filhotinho pra mim?" E eu: "Filhotinho?!?" Ele: "Ué, você não está pronta pra caçar pingüim?"
O lado bom da volta do feriado
Depois de muito pensar sobre qual seria a música que melhor definiria este feriadão, cheguei a conclusão de que teria de ser esta aí abaixo, que fala de paz e amor sem ser datada. Talvez a conclusão seja justamente esta: a paz e o amor nunca saem de moda.
Love Generation
Bob Sinclar
From Jamaica to the world,
It's just love,
It's just love,
Yeah!
Why must our children play in the streets,
Broken hearts and faded dreams,
Peace and love to everyone that you meet,
Don't you worry, it could be so sweet,
Just look to the rainbow, you will see
Sun will shine till eternity,
I've got so much love in my heart,
No-one can tear it apart,
Yeah,
Feel the love generation,
Yeah, yeah, yeah,
Feel the love generation,
C'mon c'mon c'mon c'mon yeah,
(Whistling.....)
Feel the love generation,
Yeah, yeah, yeah, yeah
Feel the love generation,
Ooohhh yeah-yeah,
Don't worry about a thing,
It's gonna be alright,
Don't worry about a thing,
It's gonna be alright,
Don't worry about a thing,
It's gonna be alright,
Gonna be, gonna, gonna, gonna be alright
Ônibus executivo do Rio pra Resende: R$28. Ônibus pé duro de Resende pra Maromba, Mauá: R$4. Passar quase 2 horas na companhia de gente mutcho lôca, que pendura rede em ônibus, toca viola e socializa tudo, do vinho de embalagem tetrapack a fumígeros ilícitos: não tem preço.
Clima: noites frias, mas lindas. Mais do que pôde registrar a máquina ou minha memória slow motion.
Lua cheia é tudo pra quem tem lua e sol em câncer.
Alimentação: a dieta de um bando de hereges: churrasco - y otras cositas más - na sexta e no sábado.
Peludo de plantão: Arthus, o Golden da pequena Clara, 6 anos. Melhores amigos ao primeiro cafuné de orelha. Eu sabia que teria um peludo à minha espera. Mauá sem namorado, dá pra encarar, mas sem peludo não rola.
Tripulação: Adriana, eu, a comandante Isa e minha ex-house mate, Lolita. Muito hormônio junto, duas taurinas, mas nenhuma tragédia anunciada.
Foto oficial do time: Lola, Fred, eu (chegando), Isa e Adriana.
Mil vivas pra Mauá!
Culpa do Google! Eu tava aqui, na minha, buscando a tradução duma palavra em espanhol e, de site em site, esbarrei na letra duma música do Alejandro Sanz que eu só ouvia quando dançava bolero nas aulas de dança de salão, no tempo do onça. A academia já virou A!Body Tech, o professor de bolero e tango se suicidou, mas o Alejandro Sanz continua por aí, à solta, proferindo coisas como:
¿Quién me va a entregar sus emociones?
¿Quién me va a pedir que nunca le abandone?
¿Quién me tapará esta noche si hace frío?
¿Quién me va a curar el corazón partío?
¿Quién llenará de primaveras este enero,
y bajará la luna para que juguemos?
Dime, si tú te vas, dime cariño mío,
¿quién me va a curar el corazón partío?
Tentei contar carneirinhos, esvaziar a mente, mentalizar o azul profundo, pensar no cheiro do abraço dos meus peludos e em coisas boas em geral, mas tive outra noite de insônia importante. Teve jeito, não: pendurei no e-mule e danei a baixar músicas que eu precisava ouvir e empacotar no MP3player imediatamente, senão teria um colapso: Clareana, Lavander, Pedaço de Mim, Cio da terra, Dyer Maker, e por aí vai.
Espumas ao vento
Interpretação obrigatória de Elza Soares
Composição: Acioly Neto
Sei que aí dentro ainda mora um pedaço de mim
Um grande amor não se acaba assim
Feito espumas ao vento
Não é coisa de momento
Raiva passageira
Mania que dá e passa feito brincadeira
O amor deixa marcas que não dá pra apagar
Sei que errei e estou aqui pra te pedir perdão
Cabeça doida, coração na mão
Desejo pegando fogo
Sem saber direito aonde ir e o que fazer
Eu não encontro uma palavra só pra te dizer
Mas se eu fosse você, eu voltava pra mim de novo
E de uma coisa fique certa, amor
A porta vai estar sempre aberta, amor
O meu olhar vai dar uma festa, amor
Na hora em que você voltar.
São esses pequenos detalhes que fazem uma mulher de 33 escolher este restaurante, e não aquele.
Hoje, véspera de "quinta-feira Santa", é o dia mais longo do ano depois da quinta-feira de carnaval. Estou postando tudo até a última ponta que é pra minimizar minha antecipação da síndrome de abstinência de blogs, gadgets e afins: no feriadão, eu vou prum mato tão sinistro que nem celular funciona por lá. Em compensação, dizem, rolam umas ninfas e gnomos, uns copos-de-leite, umas mães-d'água... Talvez, e olha que eu tô com um feeling super bom a esse respeito, haja uns peludos de plantão.
As horas não passam, o trabalho não acaba, o feriado parece que não vai chegar nunca, o telefone não toca e o Greg só pode estar de sacanagem com a minha cara. Pra piorar, minha academia vai virar uma A!Body Tech. Ninguém merece.
A sugestão foi da Jussara, e eu apenas vou pô-la em execução aqui: que presentes você devolveria sem dó nem piedade?